NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Sábado, 13 de Junho de 2026

BRASIL
Segunda-feira, 20 de Julho de 2009, 20h:17

CPMF

Oposição pedirá uma investigação

EUGÊNIA LOPES
Da Agência Estado – Brasília, DF
O DEM entra esta semana com representação no Tribunal de Contas da União (TCU) contra o pagamento indevido da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) nos contratos do governo federal com a iniciativa privada. Levantamento feito pelo TCU constatou, em pelo menos 20 auditorias realizadas em 2008 e neste ano, que empresas e órgãos do governo ainda repassam o equivalente ao valor do tributo inexistente para fornecedores, que o embolsam como lucro. A alíquota de 0,38% da CPMF deixou de ser cobrada há um ano e meio. Paralelamente à representação do DEM, o presidente da Comissão de Fiscalização e Controle do Senado, Renato Casagrande (PSB-ES), vai solicitar à Controladoria Geral da União (CGU) providências sobre o pagamento indevido. "Esses recursos têm de ser devolvidos à administração", afirmou Casagrande. Caso isso não ocorra, o senador pretende acionar a Advocacia Geral da União (AGU) para que sejam apuradas as responsabilidades pelo repasse da CPMF a fornecedores nos contratos fechados por empresas do governo federal e empresas da iniciativa privada. "É muito sério esse processo. E o governo precisa fazer alguma coisa", disse. Indicado pelo DEM para elaborar a representação que será entregue ao TCU, o deputado Paulo Bornhausen (SC) explicou que o partido quer que o Tribunal peça cópia dos contratos fechados entre o governo federal e as empresas e averigue em quais deles existe a cláusula da CPMF. "É preciso ver ainda o que os gestores desses contratos fizeram e tentar recuperar esse dinheiro pago a mais e destiná-lo à saúde', afirmou Bornhausen. Segundo ele, o pagamento indevido da CPMF é "com certeza de centenas de milhões de reais", uma vez que o governo federal é responsável por 40% da economia do País. "O TCU deve ter força para pedir a restituição do pagamento indevido nesses contratos", defendeu o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). O líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal (SP), afirmou que o partido estuda formas de obrigar o governo a devolver aos cofres públicos o montante referente à CPMF paga indevidamente a empresas contratadas pela administração pública. Para o vice-líder do governo na Câmara, deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), a oposição está produzindo um factoide ao entrar com a representação no TCU contra o pagamento indevido da CPMF nos contratos fechados pelo governo e empresas privadas. "Vamos então revisar todos os contratos e todos os financiamentos de automóvel, casa, crédito educativo que tinham juros mais altos e também levavam em conta a CPMF", ironizou Albuquerque. "Se o raciocínio é esse, vamos também rever os contratos de privatização porque agora elas nos dariam mais dinheiro", completou. Na avaliação do vice-líder governista, a oposição está adotando uma postura xiita. "A oposição é inteligente e sabe perfeitamente que não há reestruturação de contratos de forma unilateral. É por isso que cada vez mais a oposição fica mais desacreditada", afirmou Albuquerque. A CPMF foi extinta pelo Congresso Nacional há um ano e meio, mas auditoria do TCU detectou que o tributo continua incorporado aos custos de contratos do governo com a iniciativa privada. De acordo com o Tribunal, há indício de que essa prática é generalizada na administração pública. Em apenas um dos contratos auditados em 2008, o TCU constatou o pagamento indevido por empresa do governo de R$ 3,3 milhões relativos à contribuição.

Edição EDIÇÃO 16962




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL