BRASIL
Quinta-feira, 19 de Maio de 2011, 20h:09
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PALOCCI
Oposição da Casa também quer explicações
PSOL, PSDB e DEM querem que o ministro da Casa Civil explique no Senado a sua evolução patrimonial. Polícia Federal nega investigação contra Palocci e empresa
Depois da base aliada do governo na Câmara conseguiu derrubar todas as tentativas de chamá-lo à Casa para explicar sua evolução patrimonial, a oposição no Senado vai tentar aprovar a convocação do ministro Antônio Palocci, da Casa Civil. PSOL, PSDB e DEM apresentaram requerimento à Comissão de Fiscalização e Controle do Senado com o pedido de convocação de Palocci. Os oposicionistas reconhecem, porém, que a tentativa pode ser frustrada - uma vez que o governo tem ampla maioria no Senado para derrubar o pedido. "Nós havíamos escolhido a Câmara porque sabemos que aqui não se aprova. De qualquer maneira, vale a tentativa", disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Autora do requerimento, a senadora Marinor Brito (PSOL-PA) afirmou que a blindagem do governo ao ministro não retira da oposição a tentativa de convocá-lo para explicar como multiplicou por 20 o seu patrimônio nos últimos quatro anos. "As denúncias não podem ser feitas e a gente não conseguir apurar nada. O Congresso não pode ser anteparo da falta de transparência", afirmou. A Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor, Fiscalização Financeira e Controle do Senado é presidida pelo senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) - que integra a base aliada da presidente Dilma Rousseff. Cabe ao presidente da comissão incluir o requerimento na pauta de votações. Por ser convocação, e não convite, Palocci é obrigado a comparecer ao Senado se a comissão aprovar o requerimento. Marinor disse que a oposição vai cobrar a votação do pedido na próxima semana, quando a comissão se reúne. "Nossa expectativa é sensibilizá-lo para que venha falar no Senado. Se ele não se sentiu à vontade para ir à Câmara, que se sinta para vir ao Senado." A Câmara derrubou em plenário, na tarde de quarta-feira, o pedido de uma sessão para discutir a convocação do ministro Antonio Palocci (Casa Civil). O placar da Casa mostrou que 72 votaram a favor, enquanto 266 foram contrários. Outros dois pedidos de convocação, encaminhados também pela oposição, foram votados logo depois, e também acabaram derrubados. Para blindar Palocci e evitar um desgaste para o Palácio do Planalto, os governistas cancelaram nesta quarta-feira a reunião da Comissão de Fiscalização e Controle da Casa. A reunião foi cancelada porque o líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), pediu que a Mesa Diretora marcasse para ontem uma sessão extraordinária às 9h. Após o cancelamento da reunião da Comissão de Fiscalização e Controle, o líder do DEM na Casa, ACM Neto (BA), tentou levar o pedido de convocação para a Comissão de Agricultura, que é comandada pela oposição. A reunião da Comissão de Agricultura acabou sendo suspensa logo depois, quando começou a sessão extraordinária no plenário da Câmara. ACM Neto levou, então, os pedidos de convocação ao plenário da Casa. FEDERAL A Polícia Federal negou que existência de um inquérito ou de uma investigação contra o ministro Antonio Palocci (Casa Civil) e a Projeto, empresa que pertence a ele. Segundo a PF, não houve pedido de informação para o Coaf (Conselho de Atividades Financeiras), órgão do Ministério da Fazenda. De acordo com reportagem de "O Estado de S. Paulo", há cerca de seis meses o Coaf enviou para PF comunicado sobre uma operação suspeita da Projeto na compra de um imóvel de uma empresa que estava sob investigação. Mais cedo, o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) já tinha desmentido a existência de um inquérito. "Não há nenhuma investigação da Polícia Federal sobre o ministro Palocci nem sobre sua empresa", afirmou Cardozo. Também em nota, o Ministério da Fazenda negou ter enviado para a PF relatório sobre o caso. A Projeto também disse ainda que desconhece qualquer procedimento do Coaf.