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Quinta-feira, 24 de Julho de 2014, 20h:02

VELÓRIO

O último adeus ao poeta e escritor Ariano Suassuna

Ariano Suassuna é enterrado com homenagem de 'cavaleiros medievais'

DANIEL CARVALHO
Da Folhapress – Recife
O corpo do poeta, escritor e dramaturgo paraibano Ariano Suassuna foi enterrado no final da tarde de ontem com homenagens de "cavaleiros medievais", personagens de sua obra. O escritor de 87 anos teve um AVC hemorrágico na última segunda-feira, foi operado no mesmo dia, e morreu no fim da tarde de quarta-feira, no Recife. O corpo foi velado por quase 20 horas na sede do governo de Pernambuco e, no fim da tarde, seguiu em cortejo em um caminhão do Corpo de Bombeiros. Motociclistas acompanharam o carro e pequenas multidões se formaram no trajeto até o cemitério Morada da Paz, em Paulista (Grande Recife), para aplaudir o artista. O caixão com o corpo de Suassuna chegou ao cemitério às 16h48, sob uma salva de tiros e aplausos. Cinco duplas de cavaleiros que simbolizavam mouros e cristãos do livro "O Romance d'A Pedra do Reino" cruzaram suas lanças sobre o caixão, assim como faziam sobre Ariano Suassuna quando ele chegava montado às cavalgadas em São José do Belmonte, no interior de Pernambuco. Além de familiares, uma multidão de fãs acompanhou a despedida de Suassuna. "Todos nós que fazemos cultura fomos influenciados por esse modo de pensar [de Ariano]. Aqui vamos seguir sua brincadeira, que é muito séria", disse o cantor e compositor Chico César. Um dos netos de Suassuna leu o poema "A Mulher e o Reino", escrito pelo paraibano para a mulher, Zélia, que acompanhou toda a cerimônia. Uma neta discursou, agradecendo a mobilização das pessoas que foram se despedir do autor. Vez ou outra, alguém gritava "Viva Ariano Suassuna!", arrancando aplausos. O grito de guerra do Sport Club do Recife, time pelo qual torcia Suassuna, foi entoado pelo público emocionado. Às 17h21, sob chuva de pétalas de rosas brancas e vermelhas, o caixão com o corpo de Suassuna começou a ser enterrado, enquanto a família rezava. DILMA Adversários nestas eleições, a presidente Dilma Rousseff e o ex-governador Eduardo Campos (PSB-PE) encontraram-se ontem no Recife, durante o velório do escritor paraibano Ariano Suassuna. Durante o encontro, Dilma passou por uma saia justa, pois o público cantou a música "Madeira do Rosarinho", canção que Suassuna entoava em todos os comícios de Campos desde a eleição de 2006, quando o pernambucano foi eleito governador pela primeira vez. Campos tem feito uma série de críticas ao governo Dilma. Dilma chegou ao Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco, por volta das 14h20, acompanhada pelo governador Jaques Wagner (PT-BA) e pelo ministro Aldo Rebelo (Esporte), além de correligionários pernambucanos. Enquanto Campos estava mais recuado, ao lado do governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), Dilma ficou à frente, com o governador de Pernambuco, João Lyra Neto (PSB). Quando Dilma sentou-se ao lado da viúva, Zélia Suassuna, o público presente puxou a canção carnavalesca usada nas campanhas de Campos. Foi então que o presidenciável veio à frente e ficou próximo ao caixão. "E se aqui estamos cantando esta canção. Viemos defender a nossa tradição e cantar bem alto que a injustiça dói. Nós somos madeira de lei que cupim não rói", diz o refrão da música. Antes de ir embora, Dilma deu dois beijinhos em Campos e eles trocaram algumas palavras. A presidente partiu depois de quase meia hora, sem dar entrevistas. Do Recife, ela seguiria para o Rio de Janeiro, onde tinha compromissos ainda ontem. Campos viaja somente hoje para cumprir agenda em São Paulo.

Edição EDIÇÃO 16967




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