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BRASIL
Segunda-feira, 04 de Janeiro de 2010, 23h:10

TRAGÉDIA

Número de mortos em Angra sobe para 50

Segundo a Defesa Civil, outras 29 pessoas também morreram na enseada de Bananal, na Ilha Grande, onde uma pousada e sete casas foram soterradas

ALFREDO JUNQUEIRA e MÁRCIA VIEIRA
Da Agência Estado - Angra dos Reis
O número de vítimas confirmadas em Angra entre os dias 30 de dezembro e 1º de janeiro já chega a 50. Ontem, bombeiros e voluntários que participam das buscas no Morro da Carioca encontraram os corpos de quatro vítimas: Anezio Roberto da Conceição, de 53 anos; Carlos Henrique Carvalho Narciso, 11; Henrique Carvalho Narciso, 7, e Matheus Emídio de Carvalho, 10. Além da tragédia na comunidade de Angra dos Reis, outras 29 pessoas também morreram na enseada de Bananal, na Ilha Grande, onde uma pousada e sete casas foram soterradas. Segundo o Corpo de Bombeiros, há ainda uma pessoa desaparecida no local. Trata-se de Alessandra Emídio Carvalho, 11, irmã de Matheus e um dos seis filhos do ajudante de serviços gerais Jorge Carvalho, 43 anos. Ontem, ele esteve no Instituto Médico Legal (IML) para identificar o corpo do menino. Além dos filhos, Jorge também perdeu a mulher, Aparecida das Dores Emídio de Carvalho, de 38 anos. "Perdi quase toda a minha família. É um aperto muito grande no coração cada vez que eu tenho de identificar o corpo de um de meus filhos", disse. Jorge não passou as festas de fim de ano com a família porque, segundo ele, não teve dinheiro para viajar de Rio Claro, onde eles moravam, para Angra. "Passávamos todo fim de ano com parentes aqui em Angra. Desta vez, não pude vir." Fabiana, 22, e Leonardo, 14, são os dois filhos de Jorge que escaparam da tragédia. Ela estava numa festa de réveillon com amigos; o rapaz conseguiu fugir momentos antes de a casa ser destruída. RECONSTRUÇÃO A Prefeitura de Angra dos Reis (Rio) estima que terá de demolir pelo menos 500 casas nas encostas dos 15 morros na região central do município. Segundo o prefeito Tuca Jordão (PMDB), todos os imóveis correm risco de desabamento caso volte a chover. O número, no entanto, é uma estimativa inicial. Pode aumentar após análise que está sendo feita por técnicos da GeoRio, autarquia do município do Rio, e especialistas de universidades públicas. O vice-prefeito da cidade, Essiomar Gomes, declarou que os prejuízos provocados pela chuva ultrapassam R$ 200 milhões. Pelo menos cem dessas residências estão localizadas no Morro da Carioca, onde 21 pessoas morreram na madrugada de 1º de janeiro, após deslizamento de terra. ENGENHEIRA O corpo da engenheira Ilza Maria Roland, de 50 anos, foi cremado ontem no Rio. Ela estava numa casa alugada na Enseada do Bananal, na Ilha Grande, que desmoronou na madrugada do dia 1º de janeiro. Ilza morreu ao lado do marido, Renato Repetto, e das duas sobrinhas-netas, Giovana e Gabriela. Os pais das meninas, Cláudia e Marcelo, estão internados em hospitais cariocas. Cláudia fraturou três vértebras e passou por uma cirurgia para fixação da 12ª vértebra torácica ontem. Ela está na UTI, em observação, e ainda não tem previsão de alta. Marcelo está em estado grave na UTI de uma clínica na Gávea, na zona sul do Rio. Ele está sendo submetido a diálises já que suas funções renais estão prejudicadas. Não há previsão de alta. Os dois pediram que os corpos das filhas só sejam enterrados quando eles puderem acompanhar a cerimônia.

Edição EDIÇÃO 16962




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