BRASIL
Terça-feira, 03 de Fevereiro de 2009, 21h:40
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PARAISÓPOLIS
Novo confronto com a PM fica só na ameaça
O governador de São Paulo em exercício afirmou que a situação na favela de Paraisópolis está sob controle e elogiou a atuação da Polícia Militar no local
FABIANA MARCHEZI
Da Agência Estado São Paulo
Após a ameaça de novo confronto entre policiais e moradores da favela Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, a Secretaria de Segurança Pública do Estado informou que o efetivo no local passou de 180 para pelo menos 300 homens na tarde de ontem. O secretário de Segurança, Ronaldo Marzagão, foi até a favela ontem à tarde. Na segunda, o conflito em Paraisópolis destruiu carros e estabelecimentos comerciais e deixou pelo menos seis feridos - quatro policiais militares e dois moradores. De acordo com o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), os PMs contam com 60 viaturas - 38 do policiamento e 22 da Tropa da Choque. O governador de São Paulo em exercício, desembargador Roberto Antonio Vallim Bellocchi, afirmou que a situação na favela de Paraisópolis está sob controle e elogiou a atuação da Polícia Militar no local. "Não, não há descontrole. A Polícia Militar agiu com 180 homens. Foi uma situação difícil ontem, mas já está sob controle", disse, antes de participar da cerimônia de abertura do ano judiciário, na capital paulista. Bellocchi lamentou que policiais tenham se ferido no conflito. "Infelizmente, um grupo de marginais atentou contra a Polícia Militar em um lugar que está urbanizado, que tem 80 mil pessoas de bem", afirmou. O governador em exercício disse não temer que o tráfico tome conta de São Paulo. "Isso existe no mundo inteiro, infelizmente. Mas em São Paulo está sob controle. Temos uma reserva de segurança muito boa e uma investigação permanente", declarou. Bellocchi, que é carioca, disse que a situação em São Paulo não se compara ao que acontece atualmente no Rio de Janeiro. "Creio que não, as histórias são diferentes." PARAISÓPOLIS OCUPADA Na segunda, Marzagão determinou à Polícia Militar que os acessos da favela ficassem ocupados por tempo indeterminado. Marzagão preferiu não especular sobre os motivos da manifestação. "Não me parece que sejam os moradores da favela. A maioria que vive ali é de gente de bem, que não atira na polícia", disse. Para Marzagão, a ação foi preparada com antecedência. "É importante que se diga que, aqui em São Paulo, não há lugar impenetrável para a polícia. É lamentável que tenhamos homens feridos, mas faz parte da construção de uma sociedade civilizada", concluiu ele, antes de sobrevoar a favela no fim da noite da segunda. No final da noite de ontem, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que já havia liberado o trânsito nas ruas Doutor Francisco Tomas de Carvalho e Doutor Flávio Américo Maurano, que fazem a ligação entre as avenidas Morumbi e Giovanni Gronchi, as principais da região. Todas as linhas de ônibus que atendem as ruas do entorno da favela operavam normalmente nesta manhã. Por causa do confronto, muitos ônibus não tiveram como passar pelo local na segunda.