BRASIL
Quinta-feira, 16 de Agosto de 2012, 21h:54
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CPMI DO CACHOEIRA
Novo advogado reclama de 'distorções' da imprensa
O novo advogado do bicheiro Carlinhos Cachoeira, Antônio Nabor Bulhões, reclamou da imprensa ontem e disse que seu cliente é alvo de uma "campanha para condená-lo". Bulhões cita recente reportagem exibida no programa Fantástico, da TV Globo, que teria distorcido as interceptações feitas pela Polícia Federal nas ligações de Cachoeira com outros suspeitos de comandar o jogo ilegal em Goiás. "Na minha avaliação, existe uma campanha para condená-lo. Por exemplo, domingo à noite passou uma matéria de 15 minutos no Fantástico inteira distorcida. Eles tiverem acesso a interceptações e distorceram. Isso é crime. A matéria se baseia em produto de crime, logo ela é antiética. A matéria foi interpretada de forma mistificadora", afirmou Nabor. Bulhões disse estar analisando o processo de Cachoeira, mas já adiantou qual rumo deve levar a defesa. "Já conversei duas vezes com o Carlos Augusto (Carlinhos Cachoeira) para ter ideia do posicionamento dele e por exame preliminar, conclui que as provas foram conseguidas por meio ilícito. E ainda que se admita contravenção, não pode dizer que ele cometeu um crime." Segundo Nabor, foi o próprio Márcio Thomaz Bastos, antigo advogado de Carlinhos, que o indicou para o caso. "O Márcio foi o primeiro a ligar, me indicando. Em seguida, os familiares insistiram muito. Levei de duas a três semanas para ver se aceitava, pois é um processo que se absorve muito, causa aborrecimento." Prazo de defesa - O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) deu prazo de 15 dias para que o DFTrans (Transporte Urbano do Distrito Federal), a Companhia Imobiliária de Brasília e a Secretaria de Transparência e Controle do Distrito Federal apresentem defesa nas acusações de favorecimento à organização criminosa chefiada pelo empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Atendendo recomendação do Ministério Público de Contas do Distrito Federal, o TCDF passou a investigar a denúncia de participação de servidores do governo do Distrito Federal (GDF) no esquema de corrupção investigado pela Polícia Federal (PF) nas operação Monte Carlo e Saint Michel. Sem ligação - O agente da Polícia Federal Wilton Tapajós foi vítima de uma quadrilha de roubo de carros. O policial, que havia trabalhado na operação que levou à prisão do contraventor Carlinhos Cachoeira, foi assassinado dentro do cemitério de Brasília por dois homens que levaram seu carro, um gol branco, encontrado esta semana próximo à cidade de Barreiras, na Bahia. Por ter sido um dos investigadores da Operação Monte Carlos, havia a suspeita de que Tapajós tivesse sido morto em uma conexão com a prisão de Cachoeira. Nesse momento, no entanto, a Polícia Federal garante que o crime não teve qualquer ligação com as investigações das quais Tapajós participou. "Tínhamos várias linhas investigativas, mas nesse momento temos 99% de certeza que a morte não teve ligação com a atividade profissional do agente", garantiu o delegado Alessandro Moretti, responsável pelo caso. A hipótese de latrocínio estava sendo considerada, mas não era a linha mais forte de investigação. Nos últimos dias, no entanto, com a descoberta do carro do agente na Bahia, descobriu-se a atuação de uma quadrilha que atuava em Brasília e revendia o carro a receptadores no entorno, que então os encaminhava para o nordeste. Seis pessoas foram presas, além de um menor de 15 anos que também fazia parte da quadrilha. São eles dois receptadores na Bahia, os três homens que participaram do assalto no cemitério, um receptador na cidade satélite de Valparaíso. De acordo com Moretti, os assaltantes confessaram o crime, mas afirmaram não saber que a vítima era um policial. A PF também encontrou outras pessoas que foram assaltadas pela mesma quadrilha no cemitério.