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BRASIL
Quinta-feira, 14 de Junho de 2007, 20h:30

FEDERAL

Nova ação desmonta outro bando que desviava dinheiro

VANNILDO MENDES
Da Agência Estado – Brasília
Numa operação conjunta, denominada de "Aquarela", a Receita Federal, o Ministério Público e a Polícia Civil do Distrito Federal prenderam ontem o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB)Tarcísio Franklin Moura, o presidente da Associação Brasileira de Bancos Comerciais Estaduais (Asbace), Juarez Cançado e mais 17 pessoas de uma quadrilha especializada em desvio de dinheiro público mediante fraudes. Entre os presos, quatro são de São Paulo, um de Goiás e um do Paraná, Estados onde a quadrilha tinha ramificações. Os demais são de Brasília e mais um suspeito encontra-se foragido. Essa é a segunda vez em menos de um mês que o BRB ocupa as páginas policiais. Em 17 de maio passado, foi preso - e a seguir demitido do cargo - o então presidente do banco, Roberto Figueiredo, apanhado pela Operação Navalha por suspeita de envolvimento com a máfia das obras públicas. Durante o dia de ontem, foram cumpridos 40 mandados de busca e apreensão e seis andares do edifício sede do banco foram interditadas. A freqüência de denúncias de corrupção agravou a situação do BRB, um dos raros bancos estaduais ainda não privatizado. Num dos andares, foram encontradas duas pastas com US$ 200 mil, que não constam do patrimônio do banco e supostamente pertenciam à quadrilha. A polícia também recolheu, junto ao banco e às empresas e organizações não governamentais (ONGs) conveniadas, 130 computadores para serem periciados. Segundo a Receita e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, foram encontrados fartos indícios de desvio de dinheiro público, sobretudo mediante fraudes em licitações, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e outros crimes contra a administração pública. O esquema tinha a participação de várias ONGs que, embora sem fins lucrativos, eram na verdade entidades de fachada para lavagem de dinheiro desviado dos cofres públicos A investigação constatou que essas ONGs vendiam notas fiscais correspondentes a projetos e serviços não executados. O valor pago pelos serviços fictícios seria direcionado aos reais beneficiários do esquema por meio de saques feitos via cartões corporativos pré-pagos ao portador. Participaram da operação 65 servidores da Receita, 30 Delegados e 250 agentes de polícia civil, além de 19 promotores de justiça do Distrito Federal e dos Estados envolvidos. A quadrilha, conforme a polícia, era investigada desde 2005. O grupo desviava recursos do BRB e de outros bancos ainda não divulgados. "Os envolvidos conseguiam contratos com o governo para uma certa finalidade e os contratos eram pagos sem que as atividades tivessem sido realizadas", disse o procurador-geral do DF, Leonardo Bandarra.

Edição EDIÇÃO 16961




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