BRASIL
Quinta-feira, 06 de Março de 2008, 21h:34
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CONGRESSO
Mulheres representam apenas 8,5%
ANA PAULA SCINOCCA
Da Agência Estado Brasília
As mulheres são a maioria da população brasileira e do eleitorado, mas a participação feminina na política ainda é muito pequena. No Congresso, elas representam apenas 8,5%. Em números, 8 senadoras e 43 deputadas federais. O espaço no bolo só não é menor porque em 1996, com a criação da Lei 9504, os partidos políticos passaram a ser obrigados a deixar 30% de suas vagas reservadas para as mulheres. Se no Legislativo a situação não é das mais confortáveis, no Executivo os números também não são muito animadores. Dos 37 ministérios do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apenas quatro são chefiados por mulheres: os ministérios do Turismo, com Marta Suplicy; da Casa Civil, com Dilma Rousseff; do Meio Ambiente, como Marina Silva; e a Secretaria de Política para Mulheres, com Nilcéia Freire. No Executivo, o problema, no entanto, não é registrado apenas na ponta do ministério. As mulheres também são minoria em cargos de direção da administração pública, como secretarias-executivas e outros postos-chave da administração federal. Dos 37 ministérios, pelo menos 11, segundo levantamento feito pela Agência Estado, não têm sequer uma mulher em cargos de relevância. Pesquisa realizada pela professora da UnB, Tânia Fontenele-Mourão, reforça a tese. "A participação ainda é irrisória", afirma. Autora do livro "Mulheres no Topo de Carreira, Flexibilidade e Persistência", ela constatou que as mulheres no topo de carreira do serviço federal (DAS 5 e 6 - cargos de secretaria-executiva, de ministras) representam apenas 19% no governo Lula. Na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso era ainda menor: 13%. Segundo ela, na base da pirâmide - onde o ingresso dos servidores é por meio de concurso - a relação de homens e mulheres é quase eqüitativa. O mesmo não se observa nos cargos de confiança. "À medida que os cargos de decisão vão subindo, a participação da mulher é inversamente proporcional", comenta. Para Tânia, não é como negar os avanços conquistados nos últimos anos, mas ainda há muito por crescer. "O que ocorre é que a mudança é social. E isso não é feito com varinha de condão ou machado. É um processo de assimilação", atesta. Na Esplanada dos Ministérios, o campeão de vagas para mulheres é o Ministério do Desenvolvimento Social. Motivo: a maior parte das assistentes sociais no País pertence ao sexo feminino. A pasta, comandada por Patrus Ananias, abriga 6 mulheres em postos-chave. A Secretaria de Política para Mulheres é a segunda no ranking, com 4 representantes do sexo feminino. O Ministério do Meio Ambiente ocupa a terceira posição, com três mulheres, seguido por Casa Civil (2), Planejamento (2), Fazenda (2), Educação (2) Igualdade Racial (2), e Direitos Humanos (2). A Advocacia-Geral da União (AGU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) têm apenas uma representante cada. Mesmo número tem a Secretaria da Pesca e os ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Esportes, Relações Exteriores, Saúde, Trabalho e Emprego e Turismo.