O Ministério Público Eleitoral no Amazonas pediu a cassação da candidatura do governador do Estado, José Melo (Pros), que tenta a reeleição, sob acusação de uso da estrutura da Polícia Militar na campanha. A Procuradoria obteve gravação de uma reunião de cúpula da PM do Estado e aponta que houve orientações de favorecimento ao candidato. Afirma ainda que a corporação liberou tropas para gravação de propaganda do governador, instou policiais a fazer campanha e perseguiu integrantes contrários ao suposto esquema. \"É uma atuação com vícios de ilegalidade voltada para o favorecimento de determinada campanha eleitoral\", disse o procurador Jorge Medeiros. O governo do Estado e a PM não comentaram a acusação. A campanha de Melo informou que não havia sido notificada sobre a investigação, e que só deverá se manifestar após tomar conhecimento. O Ministério Público também pediu o afastamento da atual cúpula da PM no Estado. Diz que Melo promoveu dois oficiais responsáveis pela reunião em questão e concedeu benefícios irregulares, como férias vencidas há dez anos, a integrantes da corporação. O Ministério Público conduz uma ação de investigação eleitoral contra Melo, seu vice, Henrique Oliveira (SD), e o candidato a deputado estadual Platiny Soares (PV). Soares é um ex-policial que voltou aos quadros da polícia, após decreto assinado por Melo - ação sem fundamento legal, segundo a Procuradoria. \"É uma rede de interligação onde se verifica claramente a situação de abuso de poder político\", afirmou Medeiros. A reunião em questão ocorreu no último dia 27 de agosto, com 12 oficiais, entre tenentes, coronéis e capitães.