BRASIL
Segunda-feira, 23 de Junho de 2008, 19h:54
A
A
CORRUPÇÃO EM PROSTÍBULO
MP apura tráfico de influência
DIEGO ZANCHETTA, MARCELO GODOY e RODRIGO PEREIRA
Da Agência Estado - São Paulo
O Ministério Público Estadual (MPE) vai investigar a rede de tráfico de influência e de corrupção que manteve aberta a casa W.E., prostíbulo de luxo de São Paulo e um dos centros de uma organização que traficava mulheres e lavava dinheiro. Escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal durante as investigações que levaram à deflagração da Operação Santa Teresa mostram fiscais da Prefeitura, policiais e assessores políticos supostamente ajudando a organização criminosa. As escutas envolvem o presidente da Câmara Municipal de São Paulo, vereador Antônio Carlos Rodrigues (PR), e seu genro e braço direito, Fabiano Alonso. A decisão de investigar o caso, revelado ontem por "O Estado de S. Paulo", foi tomada pela promotoria de Justiça da Cidadania, que vai verificar possível improbidade administrativa cometida pelos envolvidos. O Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) também quer cópias dos materiais produzidos pela PF. Na Câmara Municipal, a vereadora e candidata a prefeita Sonia Francine (PPS) tentava ontem articular a abertura de CPI para apurar se Carlinhos quebrou o decoro parlamentar. A parlamentar necessita de 19 assinaturas. Nas conversas flagradas nos meses de março e abril pelos federais, Alonso diz ao lobista da organização, o coronel Wilson de Barros Consani Junior, que Carlinhos ia ajudar. Alonso afirma, nos dias 7 e 9 de abril, que o sogro vai tratar do assunto em despacho com o prefeito Gilberto Kassab (DEM) - tanto o prefeito quando o vereador negam o encontro. No dia 18, Consani telefona para o empresário Manuel Fernandes de Barros Filho, apontado pela PF como dono da W.E., e combina valores a serem pagos até outubro, cuja soma chega a R$ 60 mil. Em seguida, Maneco telefona para o proprietário do prédio que abriga a W.E., o construtor Felício Makhoul, e diz que o problema com a Prefeitura estava resolvido, mas ia "ter um custo de campanha aí".