NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Quarta-feira, 24 de Junho de 2026

BRASIL
Sábado, 30 de Agosto de 2014, 13h:14

MARINA/EMPATE

Ministro vê superexposição e "hiperemoção"

O levantamento do Datafolha divulgada na sexta-feira mostrou que Dilma e Marina têm 34% das intenções de voto, enquanto Aécio Neves (PSDB) tem 15%

DANIEL CARVALHO e MARINA DIAS
Da Folhapress – Recife e São Paulo
O empate entre Dilma Rousseff e Marina Silva verificado sexta-feira em pesquisa Datafolha se deve à comoção pela morte do ex-governador Eduardo Campos e à exposição midiática que a ex-ministra do Meio Ambiente teve após a tragédia. A avaliação é do ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, responsável pela articulação do Planalto com movimentos sociais e setores organizados da sociedade civil. O levantamento do Datafolha mostrou que Dilma e Marina têm 34% das intenções de voto, enquanto Aécio Neves (PSDB) tem 15%. Na sondagem anterior, feita entre 14 e 15 de agosto, Dilma, Marina e Aécio tinham, respectivamente, 36%, 21% e 20%. Em entrevista após evento com militantes no Recife, Carvalho disse que o resultado de Marina era esperado e que a surpresa foi a queda de Aécio. "Marina teve uma exposição no 'Jornal Nacional' nesse tempo que é mais do que todo o programa eleitoral dela. Isso conta muito, ainda mais em situação hiperemocional como aquela. E, além disso, teve o aspecto do impacto da morte [de Eduardo Campos, então cabeça da chapa, em um acidente aéreo no último dia 13]", afirmou. Para ele, somente as pesquisas feitas em uma semana ou dez dias farão uma radiografia mais precisa das intenções de voto. "Você tem os programas eleitorais avançando mais, portanto fazendo campanha, e você tem, digamos, uma estabilização e uma depuração do que é esse impacto da emoção e da exposição excessiva", disse o ministro petista. Carvalho também afirmou que, com o tempo, Marina vai expor "contradições de difícil solução". "Acho que, na medida em que a campanha avança, o debate em torno do programa de governo da Marina, que me surpreendeu hoje negativamente - não estou fazendo um ataque, estou fazendo uma análise - também vai colocar algumas contradições", afirmou Gilberto Carvalho. “GOVERNANTE VIÁVEL” "Marina Silva não é mais a terceira via, é a primeira." A frase taxativa de um dos integrantes do comando da campanha do PSB ao Palácio do Planalto define a mudança de atitude que a candidata terá nos próximos 37 dias, até o primeiro turno das eleições presidenciais. Com chances de vencer a disputa para a sucessão da presidente Dilma Rousseff (PT), Marina vai calibrar o discurso e a articulação política e social de sua candidatura para se mostrar uma alternativa viável ao eleitor. A nova estratégia da ex-senadora é criar uma oratória mais firme e assertiva em que se apresente como quem tem condições de governar o país. Para isso, Marina vai enumerar em discursos públicos suas realizações como senadora (1995-2011) e ministra do Meio Ambiente (2003-2008) e continuará a fazer acenos ao mercado e também a setores que ainda têm certa resistência à sua candidatura, como é o caso do agronegócio. Com quase 30% das intenções de voto segundo pesquisas feitas após a morte de Eduardo Campos, Marina tem se comprometido com o controle da inflação, a independência do Banco Central e as reformas tributária, política e administrativa, como garantias de governabilidade. A ideia de "nova política" e "alternativa à polarização entre PT e PSDB", porém, não será abandonada pela candidata. O discurso virou o mantra do PSB e já é tratado como marca materializada. Alguns pessebistas comparam a transição que Marina fará à do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de 2001 para 2002, quando foi eleito pela primeira vez ao Palácio do Planalto. Segundo eles, o petista passou de representante de um grupo restrito para uma pessoa com potencial para se tornar presidente. O paralelo também é feito com a Marina de 2010, candidata à Presidência pelo PV que teve cerca de 20 milhões de votos, e a Marina de 2014, com oportunidade real de vitória. Há quatro anos, a ex-senadora era uma alternativa, um voto de protesto. Hoje, avaliam os membros da campanha, assumirá uma postura de governante. A articulação política é o maior desafio da nova etapa da campanha. A formação dos palanques regionais no início do ano foi o foco de divergência entre Campos e Marina, que não concordava, por exemplo, com a aliança entre PSB e PSDB em São Paulo e PSB e PT no Rio de Janeiro. Os palanques mostrarão agora a força nacional de Marina e sua capacidade de agregar aliados. A mobilização, porém, depende do PSB, partido do qual a candidata é recém-filiada e não tem o controle das estruturas.

Edição EDIÇÃO 16969




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL