BRASIL
Quarta-feira, 21 de Junho de 2006, 20h:46
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FINS ELEITORAIS
Ministro nega uso político da Federal
Derrotada em plenário, oposição não consegue incluir na pauta o requerimento que pede a convocação de Thomaz Bastos
O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) rebateu ontem as acusações da oposição de que atuaria como político ao declarar preferência pelo candidato petista ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante (PT-SP), e de que usa a Polícia Federal com fins eleitorais. A oposição sofreu uma derrota ontem no plenário e não conseguiu incluir na pauta o requerimento que pede a convocação do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. A Câmara rejeitou por 238 a 113 votos. INVESTIGAÇÕES Os oposicionistas, liderados pelo líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), criticaram o retorno das investigações sobre a lista de Furnas, que inclui nomes de tucanos, como de Geraldo Alckmin, candidato à Presidência, e José Serra, ex-prefeito de São Paulo, num suposto esquema de desvio de recursos da estatal. As investigações continuam porque o lobista Nilton Monteiro, que havia entregue apenas a cópia da lista, remeteu à PF o original do documento. Arthur Virgílio disse que exigia de Thomaz Bastos a declaração de que a lista é falsa. Caso contrário, declararia guerra ao ministro. "Eu manifestei como cidadão a minha preferência pelo candidato a governador de São Paulo", afirmou sobre a participação na convenção que confirmou Mercadante como candidato do PT ao governo do Estado. "A Polícia Federal está trabalhando como trabalhou nesses três anos, de forma impessoal e republicana. Eu não interfiro na Polícia Federal, eu não controlo. Faço questão de só dar um rumo à Polícia Federal", acrescentou. Thomaz Bastos negou ainda ser político e disse que a proximidade do período eleitoral vai aumentar as disputas entre governistas e oposição. "Acredito que a guerra eleitoral vá se incendiar nesses próximos três meses, mas faz parte do jogo", afirmou. VITÓRIA A oposição sofreu uma derrota ontem no plenário e não conseguiu incluir na pauta o requerimento que pede a convocação do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. A Câmara rejeitou por 238 a 113 votos. O governo reuniu maioria e derrotou o pedido dos oposicionistas para que a matéria entrasse em discussão logo após a votação das medias provisórias. A convocação do ministro agora vai ficar numa fila e dependendo do presidente do Câmara, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), para ser votada. O requerimento do líder do PSDB na Câmara, deputado Jutahy Magalhães (BA), foi apresentado ontem e se baseia em notícia publicada pela Folha de S.Paulo no último dia 12. Na reportagem, o empresário Ivo Morganti afirma ter pagado de US$ 4 milhões relativos a honorários de Bastos, por um serviço prestado em 1993, em uma conta aberta pelo ministro no exterior. O ministro nega ter recebido o dinheiro. O líder do PT, deputado Henrique Fontana (RS), disse que o requerimento é uma tentativa de retaliar o ministro, em razão de um laudo da Polícia Federal que atesta a autenticidade da chamada lista de Furnas. O documento aponta nomes de políticos da oposição que teriam recebido dinheiro ilegalmente da estatal.