BRASIL
Quarta-feira, 30 de Maio de 2012, 21h:05
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VIAGEM
Mendes mostra documentos para comprovar que pagou
Em busca de apoio no Congresso, o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), encaminhou documentos a parlamentares para tentar comprovar que não voou em aeronave cedida pelo empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, no ano passado. O ministro enviou cópia do seu extrato bancário dos meses de maio a julho do ano passado para mostrar a compra de bilhetes aéreos na viagem que fez a Berlim (Alemanha), em abril de 2011. Em depoimento anteontem ao Conselho de Ética do Senado, o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) disse que surgiu uma "história maliciosa" de que ele e Mendes teriam voado em um jatinho cedido por Cachoeira, de São Paulo a Brasília - quando ambos retornavam de viagem a Berlim. A polêmica veio à tona depois que Mendes, em entrevista à Veja, acusou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter pedido o adiamento do julgamento do mensalão pelo STF em encontro com o ministro, no mês passado. Sem apresentar as cópias dos cartões de embarque, Mendes mostra, nos extratos, que gastou mais de R$ 4.000 no pagamento da viagem - com despesas que incluiriam o trecho SP-Brasília. O ministro também anexou aos documentos a cópia das reservas dos voos que mostram que ele teria retornado a Brasília em aeronave da companhia Lufthansa, a mesma por onde voou de Berlim a São Paulo, no dia 25 de abril de 2011. Há ainda cópias de convite de palestra em que participou em Granada, na Alemanha, motivo de sua viagem à Europa. Outro documento mostra a milhagem recebida pelo ministro, da companhia aérea, referente aos trechos da Europa e o São Paulo-Brasília. "Poderiam dizer que mesmo com reserva feita, a viagem poderia não ter sido feita. Você pode ter comprado e não usado o bilhete e ter usado o avião referido do senhor Carlinhos Cachoeira. Mas há uma coisa que comprova tudo: a pontuação em milhas que você só consegue se você viajar", disse o senador José Agripino Maia (DEM-RN), que recebeu os documentos de Mendes. Demóstenes disse, ao conselho, que ele e Mendes foram a Berlim - depois seguiu para Praga e voltou a encontrar o ministro do STF na capital da Alemanha. O senador confirmou que retornou a Brasília em jatinho cedido por um empresário de Goiás, que não é Cachoeira. CRÍTICAS Senadores governistas e da oposição criticaram a postura do ex-presidente Lula no episódio com Mendes. Para Pedro Taques (PDT-MT), Lula deveria sair do "varejo político" ao discutir temas como o julgamento do mensalão. "Ex-presidente da República, se não vier para o embate político, deve se tornar uma instituição da República, discutir uma grande biblioteca que vai montar, discutir educação no mundo, não se envolver no varejo da política." Para o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), o presidente Lula terá que pedir desculpas ao país se ficar comprovado que mentiu ao negar ter pedido para Mendes adiar o julgamento. "Se for o caso, que peça desculpas à nação pelo ato impensado de coagir um ministro do Supremo e de envolver a questão do mensalão nisso tudo. Acredito que o próprio ministro Gilmar Mendes tenha procurado a imprensa, tenha exteriorizado o que vinha sentindo, pela pressão, porque isso é comandado pelo PT."