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BRASIL
Terça-feira, 23 de Março de 2010, 20h:41

CASO ISABELLA

Médico-perito reforça indício de asfixia

A delegada que indiciou o casal disse em depoimento que só indiciou Alexandre Nardoni e Carolina Jatobá porque tinha 100% de certeza que eles cometeram o crime

O juiz Maurício Fossen encerrou os depoimentos de ontem após ouvir uma testemunha convocada pela Promotoria. Foram ouvidas três pessoas: a delegada Renata Helena Silva Pontes, o médico-legista Paulo Sérgio Tieppo Alves - ambos testemunhas comuns à defesa e à acusação -, e o perito Luis Eduardo Carvalho, que veio da Bahia convocado pela Promotoria. O depoimento da perita Rosangela Monteiro, que estava previsto para ontem, foi transferido para hoje. Os trabalhos serão retomados às 9h. O depoimento do médico legista Paulo Sérgio Tieppo Alves, testemunha convocada pela acusação e defesa, durou três horas. Durante o interrogatório do perito que examinou Isabella, a promotoria se esforçou ao máximo para mostrar que a menina foi asfixiada antes de morrer. Segundo a acusação, ela possuía “todos os indícios” de asfixia. Dessa forma, quando caiu da janela, já estaria praticamente morta. O médico falou o tempo todo sobre os ferimentos da menina, e separou as lesões em três grupos principais: as inerentes à asfixia, à queda sentada (Isabella teria sido atirada no chão antes de ser jogada no jardim) e à queda da janela. Durante seu testemunho, usou um linguajar muito técnico, detalhando bastante cada lesão que encontrou ao examinar o corpo da vítima. O depoimento de Paulo Sérgio Tieppo Alves representa o primeiro do grupo dos chamados “prova técnica.” DELEGADA A delegada do 9.º Distrito Policial (DP), Renata Helena da Silva Pontes, afirmou ontem, em depoimento no Fórum de Santana, (zona norte da cidade de São Paulo) que já esteve em 136 locais de crime em sua carreira e que só indiciou Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá porque "tem 100% de certeza que eles cometeram o crime". A delegada foi a primeira a depor ontem no segundo dia do julgamento do casal. No depoimento, o promotor Francisco Cembranelli pediu para que a delegada relatasse onde havia marcas de sangue visíveis no apartamento dos Nardonis. Ela respondeu que elas estavam na entrada do apartamento e no lençol do quarto dos filhos do casal O restante das manchas - encontradas no carro e perto do sofá - só foram visíveis com o uso de reagente químico. A promotoria tem à disposição duas maquetes: uma do apartamento e uma do Edifício London, onde ocorreu o crime. Por enquanto, eles têm usado a maquete do apartamento no sexto andar para que a delegada relate como foi feito o trabalho lá dentro na época da investigação. Os jurados ficam em pé em seus lugares, observado a explicação da delegada. CHEGADA DOS NARDONI As escoltas de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados de matar Isabella Nardoni em março de 2008, chegaram por volta das 8h30 ao Fórum. Assim como anteontem, os veículos entraram pela parte lateral do prédio. Alexandre saiu do Centro de Detenção Provisória de Pinheiros e Anna Carolina, da Penitenciária Feminina do Carandiru, onde passaram a noite. O CASO A menina Isabella, de 5 anos, morreu no dia 29 de março de 2008, em São Paulo, ao cair do 6º andar do Edifício London, onde moravam o pai e a madrasta. Defesa e acusação calculam que o julgamento deve durar de quatro a cinco dias. Os dois são acusados de homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Eles alegam inocência.

Edição EDIÇÃO 16960




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