BRASIL
Segunda-feira, 26 de Julho de 2010, 19h:52
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PV
Marina defende permanência de Cesare Battisti no Brasil
DAIENE CARDOSO
Da Agência Estado - São Paulo
A candidata do Partido Verde (PV) à sucessão presidencial, Marina Silva, declarou-se favorável à permanência do ex-ativista italiano de esquerda Cesare Battisti no Brasil. Na avaliação da presidenciável, é importante que o País mantenha a tradição de oferecer abrigo a refugiados políticos. Battisti foi condenado a prisão perpétua na Itália em 1987 por quatro assassinatos promovidos pela organização Proletários Armados pelo Comunismo (PAC). Preso na Penitenciária da Papuda, no Distrito Federal, desde março de 2007, aguarda uma decisão do presidente sobre sua extradição. "O Brasil tem tradição de dar abrigo, já deu até para ditadores", afirmou a candidata, durante entrevista ontem ao portal Terra. "Por que seria diferente em dar abrigo a ele (Battisti)?", perguntou. A presidenciável disse que a sua posição não coloca em dúvida as instituições italianas, que pedem a extradição do ex-ativista. Para a candidata, é importante que a política externa brasileira mantenha suas tradições e princípios. Assim, segundo ela, fica claro para os demais países a posição brasileira nesses tipos de situação. JUSTIÇA Em junho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que aguardará parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) para tomar qualquer decisão sobre o caso Battisti. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu no final do ano passado ser legal a extradição do ex-ativista, requerida pelo governo da Itália. Os ministros observaram, contudo, que o presidente é quem decidirá a questão, não sendo obrigado a entregar o italiano. TERRORISTA Marina criticou o rótulo de terrorista dado à ex-ministra Dilma Rousseff, que na juventude participou de grupo político que lutou contra o regime militar. "Ela lutou pela democracia, não acho correto ficar chamando ela de terrorista". Marina disse ser contra o julgamento de militares que praticaram de tortura durante o regime militar. "A anistia foi para todos", afirmou. A candidata defendeu, porém, a criação da Comissão da Verdade no Congresso Nacional para apurar os crimes políticos ocorridos na época da ditadura no Brasil."Sou favorável a se tirar esses cadáveres do armário", defendeu. SEGUNDO TURNO Perguntada por internautas sobre qual candidato apoiará no segundo turno, caso não continue no pleito, Marina disse que o assunto só será tratado no futuro. Ela afirmou que hoje não se sente mais próxima nem de Dilma, nem de Serra porque seus adversários tem um perfil gerencial e desenvolvimentista. "Os dois são muito parecidos, são muito eu, eu, eu, eu", ironizou. Na entrevista, Marina afirmou que pretende fazer uma campanha sem agressões pessoais aos adversários e baseada em críticas aos programas de governo.