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BRASIL
Terça-feira, 28 de Dezembro de 2010, 20h:22

MÍNIMO

Mantega engrossa coro do governo

ADRIANA FERNANDES e EDUARDO RODRIGUES
Da Agência Estado – Brasília
O governo montou um front de resistência contra a pressão por um aumento do salário mínimo superior à proposta de R$ 540,00, aprovada no Orçamento da União de 2011. Depois da presidente eleita, Dilma Rousseff, e do presidente Lula, ontem foi a vez do ministro da Fazenda, Guido Mantega, alertar para o risco de um reajuste maior provocar um rombo nas contas da Previdência Social. Embora tenha admitido que há "chances" de mudanças, Mantega disse que se depender dele o novo mínimo será mesmo de R$ 540,00. Segundo o ministro, esse valor foi o acertado dentro do governo como o "melhor" para ajudar a manter os gastos públicos sob controle. As centrais sindicais reivindicam um reajuste para R$ 580,00 e prometem liderar uma campanha nacional em defesa desse valor e também pela correção em 10% das aposentadorias acima do mínimo. O presidente Lula já deixou claro na segunda-feira que vai deixar a decisão para Dilma Rousseff. O problema para o próximo governo é que com a disparada dos gastos neste ano de eleições e a crescente perda de credibilidade da política fiscal brasileira depois da adoção de uma série de manobras contábeis para o cumprimento da meta de superávit das contas públicas, o reajuste do salário mínimo passou a ser considerado crucial para os analistas econômicos "medirem" o compromisso da presidente eleita e do próprio ministro Mantega com a austeridade fiscal. Nesse cenário, uma manutenção do valor do mínimo em R$ 540,00 pela futura presidente, mesmo diante da pressão das centrais sindicais, seria interpretada como uma indicação positiva de que o próximo governo está realmente comprometido com um ajuste fiscal em 2011. No dia em que foi confirmado no cargo por Dilma Rousseff, Mantega assegurou que o governo fará cortes nos gastos e adotará uma política de disciplina fiscal. Uma decisão a favor de um reajuste mais alto pode colocar em risco a tentativa do ministro de retomar a credibilidade fiscal do País. O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, também destacou ontem que o valor de R$ 540,00 é adequado e segue a política de correção adotada nos últimos anos Segundo ele, essa política tem sido "vitoriosa" e deve ser mantida. Apesar de o valor estar previsto no orçamento de 2011, o Congresso pode alterar o valor do piso salarial do País na discussão da Medida Provisória que definirá o reajuste. Em outro recado para os congressistas, Augustin disse que, pessoalmente, tem a mesma opinião da sociedade - que reagiu contrariamente - sobre o reajuste dado aos salários dos parlamentares neste fim de ano. Mas ele afirmou que o impacto fiscal desse reajuste é "menor", em comparação com o impacto que poderia ter um eventual aumento das carreiras do Judiciário. Para o secretário, é preciso ponderação com o aumento de gastos. "O Poder Executivo não enxerga a necessidade de reajustes fortes de pessoal", disse Augustin.

Edição EDIÇÃO 16967




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