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BRASIL
Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012, 21h:31

DESABAMENTO

Mais corpos são retirados de escombros

Com a localização de mais uma vítima no início da noite de ontem, subiu para 13 número de corpos retirados de prédios que desabaram no centro do Rio de Janeiro

FLÁVIA VILLELA VLADIMIR PLATONOW e VITOR ABDALA
Da Agência Brasil - Rio
Os Bombeiros retiraram no início da noite de ontem o 14º corpo dos escombros dos edifícios que desabaram no centro do Rio. A vítima estava em um subsolo do edifício Liberdade, que tinha 20 andares. O local está sendo vasculhado pelos bombeiros em busca de mais vítimas. Por volta das 20h começou a chover forte no centro da cidade, mas os trabalhos de buscas continuaram, com o uso de cinco retroescavadeira. Uma grande parede do edifício Liberdade ficou em pé e só será demolida posteriormente, para que os trabalhos dos bombeiros não cessem, apesar do perigo de desmoronamento. O secretário de Defesa Civil e comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Sergio Simões, até o início da noite de ontem nenhum bombeiro havia se ferido nos trabalhos, mas destacou que há perigo de grandes pedaços de concreto de um dos prédios caírem inesperadamente, pois estão presos apenas pelas ferragens. Ele espera concluir até amanhã os trabalhos de resgate e disse que, no que depender dos bombeiros, a área poderá ser liberada. A Avenida Treze de Maio é endereço de dezenas de escritórios e lojas comerciais, que estão fechados desde a noite da tragédia. Os parentes das vítimas do desabamento no centro do Rio de Janeiro que não conseguirem identificar os corpos e que não tenham como pagar pelo exame de DNA poderão acionar a Defensoria Pública para que o Estado banque essa identificação. A defensoria tem um setor específico para este tipo de serviço. Caso o corpo de algum desaparecido não seja encontrado pelas equipes de resgate, a defensoria pode entrar com ações na Justiça para que a morte seja reconhecida. “Nas hipóteses em que o corpo não seja encontrado após os fins das buscas, a Defensoria Pública pode entrar com uma ação declaratória de morte prevenida e, através dessa ação, suprir a necessidade da declaração do óbito e os herdeiros podem exercer direitos decorrentes da morte dessa vítima”, explicou a coordenadora do Núcleo de Defesa de Direitos Humanos da Defensoria, Leila Omari.. A defensora lembrou que, embora não exista um laudo preliminar apontando a causa do acidente ou os responsáveis para arcar com indenizações, existe o seguro obrigatório do condomínio, que todo síndico é obrigado a fazer, de acordo com o Artigo 1.346 do Código Civil . “Resta saber se a cobertura é ampla ou restrita,” informou a defensora. A cobertura simples é para incêndios, queda de raios e explosões de qualquer natureza. A ampla, para qualquer evento que cause danos materiais ao imóvel, exceto os expressamente excluídos. Se o prédio não estiver segurado, o síndico pode ser responsabilizado civilmente por omissão. Leila Omari lembrou ainda que as empresas que funcionavam nos prédios que ruiram também podem ter algum tipo de seguro próprio. No caso dos veículos atingidos pelo desmoronamento, as seguradoras são, em princípio, obrigadas a ressarcir os prejuízos. “A não ser que haja uma cláusula no contrato que especifique que o seguro não cobre danos causados ao veículo em caso de desabamentos. Essa cláusula deve ser bem destacada. Se estiver em letrinhas miúdas, como estamos acostumados a ver em contratos, pode ser considerada abusiva”, disse a defensora pública. ESPERANÇAS Horas dos desabamentos dos três edifícios no centro do Rio, parentes e amigos de pessoas desaparecidas ainda mantêm hoje (27) as esperanças de encontrá-las com vida. As famílias e os amigos das vítimas acompanham de perto as operações de socorro. A maioria está abrigada na Câmara de Vereadores, cujo prédio é próximo ao local onde ocorreu o acidente. Por enquanto, de acordo com os números oficiais, a tragédia provocada pelos desmoronamentos dos prédios na Avenida 13 de Maio provocaram sete mortes e deixaram pelo menos 20 pessoas desaparecidas. “Está todo mundo preocupado e nervoso. Mas esperanças a gente sempre tem. A gente teve informações de que acharam mais bolsões [áreas sob os escombros nas quais pode haver sobreviventes]. É bem provável que as pessoas estejam por lá”, disse César Vasconcelos, de 41 anos. Ele é irmão de Luiz Vasconcelos, de 40 anos, um dos desaparecidos. César trabalha no centro de informática, no 4º andar do prédio de 20 andares que desabou. Segundo ele, a expecativa de encontrar o irmão com vida é porque um desses “bolsões” fica perto da escada de incêndio. “Se houve algum sinal ou estrondo, pode ser que tenha dado tempo de o pessoal correr para a escada de incêndio e que ainda esteja por lá esperando”, acrescentou César. Para preservar os parentes e amigos das vítimas, a prefeitura do Rio está mantendo todos em uma área reservada na Câmara de Vereadores. Quando há informações sobre a localização de uma vítima, eles são chamados. No caso de um corpo localizado, as pessoas são levadas, no carro da Secretaria Municipal de Assistência Social, a um local específico do Instituto Médico-Legal (IML) para identificá-lo. Para dar suporte psicológico aos parentes e amigos das vítimas, um profissional é colocado à disposição deles.

Edição EDIÇÃO 16962




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