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BRASIL
Quinta-feira, 17 de Novembro de 2011, 20h:46

AVIÃO

Lupi diz que não mentiu sobre uso

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse ontem à Comissão de Assuntos Sociais do Senado que se sente injustiçado e negou ter mentido ao dizer que não havia usado um avião providenciado pelo empresário Adair Meira para viajar pelo Maranhão. Meira é dono de uma rede de ONGs beneficiada por convênios de mais de R$ 10 milhões com a pasta. "Eu disse que não tinha andado em avião pessoal, é diferente você andar em um taxi-aéreo", afirmou ele em audiência no Senado. Lupi disse que não "registrou" o nome do empresário Adair Meira quando o conheceu. "A memória às vezes falha, eu sou humano", disse. "Quantos ministros, deputados, senadores podem ter usado carro, avião em atividades rotineiras de quem não conhece? Meu erro foi não checar com a apuração que devia. Isso foi o que aconteceu." Carlos Lupi disse que é de responsabilidade do ex-secretário de Políticas Públicas da pasta Ezequiel Nascimento explicar quem pagou o avião usado durante viagem ao Maranhão, em 2009. "O próprio diretor da instituição, o senhor Adair, disse que quem solicitou a ele foi o Ezequiel e diz que não pagou. Compete ao Ezequiel ou a empresa de táxiaéreo informar quem pagou. Só se que eu não paguei." Lupi disse que tem condições políticas para continuar à frente do cargo. "Eu tenho todas as condições políticas. Serenidade, tranquilidade. Repito: Não há uma acusação contra a minha pessoa." Ele minimizou as críticas de parlamentares do próprio partido, o PDT. Segundo reportagem da revista "Veja", o ministro teria visitado o Maranhão em dezembro de 2009 a bordo de um avião providenciado por Meira. No sábado, nota do Ministério do Trabalho negou que Lupi tivesse voado em um avião de modelo King Air - o que foi desmentido nesta semana após divulgação de fotos por um site do Maranhão. Na semana passada, em audiência na Câmara, Lupi negou ter relações com Meira. "Não sei onde ele mora, nunca andei em aeronave pessoal dele." O senador Demóstenes Torres (DEM-GO) pediu ao ministro uma cópia das notas taquigráficas que ele apresentou durante a sessão. SAÍDA O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) defendeu ontem a saída do ministro Carlos Lupi da pasta do Trabalho. Para Cristovam, o partido deveria entregar o ministério e apoiar o governo sem compromisso. “O PDT não precisa de cargos para apoiar o que está certo ou para criticar o que está errado”, disse ele. Na opinião do senador, Lupi já deveria ter se apresentado ontem no Senado na condição de “ex-ministro”. Cristovam é o segundo senador do PDT (partido de Lupi) a se manifestar pela entrega do cargo. Anteontem, Pedro Taques (PDT-MT) cobrou publicamente a saída de Lupi do cargo. Taques alegou que as denúncias “são graves” e que, quando se trata de dinheiro público “tudo deve ser apurado”. Taques chegou a criticar o próprio partido por se manter na base do governo em troca de cargos. “Partido político não é Sine [Serviço Nacional de Emprego], para dar emprego para quem quer que seja. Esse aparelhamento do Estado por partidos políticos não é republicano”, afirmou o senador. Os outros dois senadores do PDT, Acir Gurgacz (RO), líder do partido, e João Durval (BA), ainda não se pronunciaram.

Edição EDIÇÃO 16962




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