BRASIL
Quinta-feira, 17 de Julho de 2008, 21h:21
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OPERAÇÃO
Lula tenta recompor clima cordial com PF
Em áudio a PF, Protógenes Queiroz afirma que não pretende prosseguir à frente do inquérito mesmo depois do Curso Superior de Polícia que irá fazer
LEONENCIO NOSSA
Da Agência Estado Brasília
Depois do esforço para negar interferência do governo na queda do comando da Operação Satiagraha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se preocupa agora em recuperar a relação cordial com os diferentes grupos da Polícia Federal. Em trechos editados do áudio da reunião da Polícia Federal, o delegado da Operação Satiagraha, Protógenes Queiroz, afirma que não pretende prosseguir à frente do inquérito mesmo depois do Curso Superior de Polícia que irá frequentar. Em encontro no início da manhã de ontem com o ministro da Justiça Tarso Genro, e o diretor interino da PF, Romero Menezes, no Palácio do Planalto, Lula passou o recado de que o governo valoriza e defende o trabalho dos agentes. "A Polícia Federal deve ser um órgão de primeiro nível no combate à corrupção e ao crime organizado", disse, segundo uma pessoa próxima dele. "Tem todo o apoio deste governo." A reunião, mantida em sigilo até o final da manhã pelos assessores do palácio, foi promovida pelo ministro Tarso Genro, que tem a missão de aparar as arestas entre o Palácio e os delegados. A repercussão dos acontecimentos da tarde de terça-feira ainda irrita o Planalto. Quase no mesmo horário, Lula recebia em seu gabinete o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que não economiza críticas à atuação da PF, e a polícia anunciava o afastamento do delegado Protógenes Queiroz do comando das investigações da Satiagraha. Mesmo em momentos mais desgastantes para o governo, como o escândalo do mensalão, em 2005, ou quando as ações policiais atingiram parentes do próprio presidente, a relação do Planalto com os "radicais" da PF esteve tão abalada quanto agora, avaliam assessores do governo. Em junho do ano passado, Lula chegou a aproveitar politicamente o fato de que comandava uma polícia "republicana" quando divulgaram a versão de que não foi informado ou foi informado com poucas horas de antecedência da entrada de agentes na casa de Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão dele, para busca e apreensão. A PF chegou a pedir a prisão de Vavá por suspeita de tráfico de influência, mas a Justiça rejeitou o pedido. Lula, lembram assessores, correu para os holofotes para pedir "serenidade" à PF e, principalmente, afirmar que todos estavam "submetidos" às investigações. ÁUDIO Em trechos editados do áudio da reunião da Polícia Federal, na última segunda-feira, divulgados pela instituição ontem, o delegado da Operação Satiagraha, Protógenes Queiroz, afirma que não pretende prosseguir à frente do inquérito mesmo depois do Curso Superior de Polícia que irá frequentar. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Justiça, a divulgação da gravação foi iniciativa do titular da pasta, Tarso Genro, e do diretor-geral interino da PF, Romero Menezes. Os dois teriam apresentado a idéia ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em reunião emergencial no Palácio do Planalto ontem.