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BRASIL
Quinta-feira, 08 de Fevereiro de 2007, 19h:50

‘PANOS QUENTES’

Lula pedirá final da luta das facções dentro do PT

LEONENCIO NOSSA
Da Agência Estado – Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedirá hoje, durante jantar em Salvador para comemorar os 27 anos do PT, o fim da "guerra" das correntes internas pelo controle do partido, segundo um interlocutor. Disposto a salvar o encontro, marcado para festejar o triunfo dos petistas baianos contra o PFL nas últimas eleições, Lula recomendou hoje e ontem (07) ao chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Tarso Genro, e ao ex-deputado José Dirceu (PT-SP) que evitem novas trocas de insultos. O presidente pedira hoje a pacificação da legenda aos auxiliares. A briga petista levou Lula a evitar conversas sobre a composição do novo ministério, uma das causas das divergências da sigla. Genro, no entanto, voltou hoje a aumentar a temperatura da crise petista com ataques a Dirceu. O chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República disse que a proposta de anistia política para ele não está na agenda do governo nem será discutida na capital baiana. "Essa (a proposta de anistia) é uma questão em que o governo não se manifesta", afirmou. Sobre se o grupo dele se oporia à proposição, Genro respondeu: "A direção (do PT), se for suscitada, vai manifestar-se, mas; que eu saiba, não o será." O temor do presidente é que o encontro na Bahia - local onde o governador Jaques Wagner (PT) ainda comemora a derrota imposta ao grupo do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) - se transforme num bombardeio entre as correntes do PT. De um lado, o chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, que propôs um documento pedindo a refundação do partido, citando até mesmo a palavra corrupção. No outro extremo, o ex-deputado do PT de São Palo, que trabalha contra a indicação de Genro para a pasta da Justiça. Por telefone e em encontros no gabinete do terceiro andar do Planalto, Lula deixou claro aos dois que não quer ouvir falar em proposta de anistia política para Dirceu nem em refundar o partido, como prega Genro. Em Salvador, Lula dará ênfase, claro, ao fim dos 16 anos do carlismo, com elogios a Wagner e ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que prevê um total de R$ 503,9 bilhões em investimentos em infra-estrutura no País nos próximos quatro anos. Um assessor relatou que Lula pretende seguir a mesma linha do discurso feito no encontro de novembro do Diretório Nacional do PT, em São Paulo. À época, ele afirmou que o partido tinha de voltar a ser um exemplo, com a "correção de rota" e o fim das disputas internas.

Edição EDIÇÃO 16969




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