BRASIL
Sábado, 26 de Julho de 2008, 13h:08
A
A
RODADA DE DOHA
Lula nega ter abandonado aliados ao aceitar acordo
Presidente negou ter abandonado os aliados quando aceitou acordo de flexibilização de tarifas e novas regras comerciais com a UE e os EUA
LEONENCIO NOSSA
Da Agência Estado Lisboa
Ao encerrar viagem de três dias a Portugal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva amenizou ontem o clima de discórdia no bloco dos países emergentes com a decisão do governo brasileiro de romper com África do Sul, Argentina e Índia nas negociações da Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC). ALIADOS Lula negou ter abandonado os aliados tradicionais quando aceitou acordo de flexibilização de tarifas e novas regras comerciais com a União Européia (UE) e os Estados Unidos. "O Brasil não quebrou nenhuma solidariedade", afirmou. "O (G-20) não sairá rachado porque isso não faz parte da estratégia que montamos." Ele observou as diferenças de interesses entre os setores agrícolas do Brasil com os dos demais países do G-20, bloco em que estão incluídos os emergentes. "Participamos do G-20, queremos que o acordo seja de interesse do G-20, mas vocês têm de convir que, dentro do grupo, existem assimetrias e disparidades enormes entre os países", disse. "Os interesses dos países não são os mesmos, embora tenhamos de encontrar um denominador comum", completou. "Agora, temos de respeitar as diferenças que existem." ACORDO Como havia afirmado anteontem, Lula ressaltou que continua acreditando num acordo na rodada da OMC. "Para mim, as divergências são normais porque (a rodada) envolve muitos interesses, muitos países e milhares de empresários", disse. "Tem de ter divergências", afirmou. "O importante é que há decisão política para fechar o acordo que será bom para todos." O presidente avaliou que a radicalização de aliados será prejudicial, especialmente para países mais pobres da África e da América Latina, onde faltam investimentos no setor agrícola. "Os países mais pobres não têm incentivos para produzir seus alimentos", afirmou. "Não falo isso pelo Brasil, que é competitivo na agricultura, falo por outros países que precisam de flexibilização do mercado europeu e o fim dos subsídios americanos." Lula esteve em Portugal para participar do 7º encontro da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). A reunião serviu, segundo diplomatas brasileiros e portugueses, para o Brasil firmar a posição de nação mais rica do grupo, com capacidade de fazer investimentos nas áreas de petróleo, agricultura e indústria em países pobres como Timor Leste, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau. EMBRAER Em discurso ontem num evento em que a Embraer, de São José dos Campos, no Vale do Paraíba (SP), anunciou projeto de construção de duas unidades industriais em Évora, Portugal, estimado em 148 milhões, o primeiro-ministro português, José Sócrates, avaliou que o Brasil é um avalista até mesmo da economia do país. "Representamos uma aposta da Embraer na Europa, que confia na economia portuguesa e nos portugueses."