Lula mediará disputa entre ambientalistas e ruralistas
CÉLIA FROUFE
Da Agência Estado Brasília
Chegou a hora de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrar diretamente nas questões que dividem o setor agrícola e o meio ambiente e atuar como um árbitro das decisões mais difíceis. Essa foi a demanda que a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO), apresentou anteontem, durante jantar com a bancada ruralista e o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. "Ser presidente é uma honraria para qualquer brasileiro e tem seus bônus, mas tem seus ônus também", avaliou a senadora em conversa com a Agência Estado. "Quem tem que fazer o papel de árbitro é o presidente", continuou. Segundo ela, é necessário que o governo defina claramente a questão das áreas desmatadas no País para evitar a existência de brechas utilizadas pelo Judiciário. Kátia comentou que o propósito do jantar foi discutir o projeto que altera o Código Florestal. No entanto, informou, questões como a Operação Abate, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, em Rondônia, e o boicote de grandes redes de supermercados à aquisição de carnes provenientes de áreas que teriam sofrido desmatamento no Pará acabaram por dominar o encontro por serem temas relacionados.