O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou ontem a reclamar da falta de recursos para a saúde e a educação e a criticar os senadores da oposição que derrubaram a prorrogação da CPMF. Em encontro com centenas de prefeitos, num hotel em Brasília, para comemorar o primeiro ano do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), Lula disse que se tivesse no caixa os R$ 40 bilhões da receita da CPMF derrubada em dezembro no Senado, alguns programas do governo não estariam na gaveta, citando o "saúde na Escola". "Na primeira creche do PDE que começar a funcionar, a gente vai pegar os ministros da área econômica e os senadores que votaram contra a CPMF e vai levá-los lá para ter a certeza de que é preciso mais dinheiro", afirmou. Indagou, em seguida: "O que poderíamos fazer com R$ 40 bilhões a mais por ano no orçamento e vamos deixar de fazer?". O presidente da República começou o discurso aos prefeitos em tom de brincadeira. Ao receber uma miniatura do modelo de ônibus escolar que será adotado nos 5.445 municípios que aderiram ao PDE, comentou: "o que vai ter de prefeito fazendo campanha nesses ônibus aí...". Lula aproveitou boa parte do discurso para ressaltar a prioridade que os prefeitos têm de dar à educação. Frisou que o resultado, que pode demorar a aparecer, é o principal legado que pais ou governantes podem deixar para seus filhos ou cidadãos. Revelou que ao elaborar o programa Bolsa Família, recebeu conselho de assessores para não trabalhar com os prefeitos, pela suspeita de corrupção de muitos deles. Sublinhou não ter considerado os conselhos porque os prefeitos, segundo o presidente, são os administradores públicos mais próximos da sociedade.