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BRASIL
Sexta-feira, 01 de Agosto de 2008, 20h:44

FUNDO AMAZÔNIA

Lula critica histórico ambiental do G-8

Por uma "questão de soberania", os doadores não terão participação na escolha dos projetos de redução do desmatamento que deverão ser apoiados

FELIPE WERNECK
Da Agência Estado – Rio
Em discurso com críticas ao G-8, grupo formado pelos sete países mais industrializados e a Rússia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem, após assinar decreto de criação do Fundo Amazônia, que a Holanda "polui dez vezes mais que o Brasil", proporcionalmente ao tamanho dos territórios. Ele disse que a "responsabilidade histórica é maior para alguns" países, em relação ao aquecimento global, e defendeu que haja um "processo de reparação de danos cometidos no planeta". Por uma "questão de soberania", os doadores do novo fundo não terão participação na escolha dos projetos de redução do desmatamento que deverão ser apoiados. "Vira e mexe tem muita gente (no exterior) que fala da Amazônia como se fosse dono", afirmou Lula, no auditório do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O presidente disse que "fazer as coisas direito" na área ambiental é "melhor para a imagem do País". Segundo ele, o Brasil assumirá "todas" as responsabilidades de preservação da Amazônia e de combate ao aquecimento global porque quer "assumir definitivamente" a soberania do território e das decisões relacionadas ao bioma. "O Brasil vai cumprir com as suas obrigações. Nós queremos falar grosso." Segundo ele, o País tem "consciência" do que precisa ser feito e pode transitar nos fóruns internacionais de cabeça erguida. "Nem todo mundo cumpre os seus deveres. O protocolo de Kioto está assinado há muito tempo e muitos países que muitas vezes tentam dar lição ao Brasil ainda sequer assinaram o protocolo", declarou. Para o presidente, existe hoje no País a compreensão de que é uma "grande vantagem comparativa" na disputa global ter "as coisas boas que a natureza nos deu" como cartão postal, ou cartão de visitas. "Destruí-las será um instrumento a ser utilizado contra o nosso País", disse. Lula citou como exemplo bem sucedido recentes acordos firmados pelo Ministério do Meio Ambiente com produtores de soja, madeireiros e criadores de gado. Segundo ele, além de contribuir para a "imagem do País", também pode trazer vantagem econômica para as empresas terem uma produção que não esteja associada ao desmatamento. Ao citar sua recente participação em reunião do G-8, Lula fez uma analogia com a política nacional. Segundo ele, em época de eleição, político não fala mal de pobre e de criancinha, nem que vai poluir. "No G-8, a discussão estava mais ou menos assim: todo mundo quer cuidar do planeta, despoluir e preservar", declarou. Ele disse que citou no Japão estudo realizado por um instituto de pesquisa energética dos EUA. "A responsabilidade da China é menor do que a dos EUA porque ela começou a poluir há menos tempo.

Edição EDIÇÃO 16962




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