BRASIL
Segunda-feira, 17 de Setembro de 2012, 21h:12
A
A
BARBOSA
Lavagem por réus ligados ao PP está comprovada
Barbosa argumentou que o PP recebeu do PT o valor de R$ 1,1 milhão, por meio da SMP&B
HELOISA CRISTALDO
Da Agência Brasil Brasília
O ministro-relator da Ação Penal 470, Joaquim Barbosa, considerou ontem, durante julgamento do processo conhecido como mensalão, que ficou comprovada a prática dos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva pelos réus ligados ao Partido Progressista, o deputado federal Pedro Henry (PP-MT), o ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE) e João Cláudio Genú, que era assessor do falecido deputado José Janene. Está cabalmente comprovada a trama montada pelos réus para a lavagem de dinheiro. Eles seguiram mecanismos complexos de ocultação e dissimulação de recursos, disse. Segundo Barbosa, o núcleo político do esquema, comandado pelo ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), Delúbio Soares, indicava ao publicitário Marcos Valério, considerado o operador do núcleo financeiro, quem deveria ser beneficiado. O modus operandi era: Delúbio Soares apontava quem deveria ser o beneficiário ao publicitário Marcos Valério, que, por sua vez, emitia um cheque em nome de sua agência e informava ao Banco Rural quem deveria recebê-lo. As quantias seriam para pagamento de recursos de campanha, segundo o esquema, explicou Barbosa. De acordo com o ministro, informações falsas alimentavam a base de dados do Banco Central e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A SMP&B, empresa de Marcos Valério, aparecia como sacadora de recursos, quando o verdadeiro beneficiário era uma terceira pessoa. Os réus do PP receberam milhões de reais em espécie sem deixar praticamente nenhum rastro no sistema bancário do país, disse. Ainda segundo o relator, a cúpula do partido empregou uma nova sistemática de lavagem de dinheiro, por meio da corretora Bônus Banval. Os montantes não batem. Foram transferidos muito mais recursos do que aparece aqui R$ 6,5 milhões , os que eu disse não atingem essa quantia. Uma boa parte deve ter desaparecido no meio do caminho, disse o ministro, referindo-se à quantia movimentada por Valério na corretora Bônus Banval. O ministro-relator reiterou diversas vezes que as evidências presentes nos autos comprovam a materialidade do crime de lavagem de dinheiro cometido pela cúpula do PP. Segundo Barbosa, Pedro Henry, José Janene e Corrêa tinham a decisão final no caso. Barbosa argumentou que o PP recebeu do PT o valor de R$ 1,1 milhão, por meio da SMP&B. João Claudio Genú foi o recebedor, executor direto dos crimes de lavagem de dinheiro, apontou o ministro.