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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

BRASIL
Segunda-feira, 29 de Março de 2010, 21h:31

PAC 2

Lançamento vira palanque para Dilma

A maior parte dos investimentos será destinada para os projetos de energia com um montante total de R$ 1,092 trilhão. Habitação receberá a segunda maior cifra

TÂNIA MONTEIRO e RENATO ANDRADE, colaboraram João Domingos, Edna Simão e Vera Rosa
Da Agência Estado – Brasília
Numa solenidade que custou R$ 170 mil aos cofres públicos, o governo juntou ontem 30 ministros, 18 governadores e centenas de prefeitos para apresentar ao País a segunda versão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), com investimentos divididos entre 2011 e 2014 e pós-2014, somando R$ 1,59 trilhão em obras - embora o governo tenha concluído pouco mais de 40% das obras previstas no PAC 1. Na prática, como deixaram claro os discursos, o novo PAC é uma plataforma de promessas eleitorais da candidata do PT à sucessão presidencial, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. O grosso das promessas - mais casas, mais transporte, postos de saúde, água e luz para todos, saneamento, creches, quadras poliesportivas, praças públicas e postos de polícia comunitária - foi dirigido ao eleitor da periferia das regiões metropolitanas, onde estão concentrados os grandes colégios eleitorais. A indefinição sobre os projetos e investimentos ficou tão evidente, embora o governo tenha citados cifras na casas dos "trilhões", que o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou o conjunto do PAC 2 de uma "prateleira de projetos" para o futuro governo. No mesmo discurso, Lula anunciou que desistira de viajar hoje a Pernambuco para inaugurar uma parte da Ferrovia Transnordestina, por problemas com a obra. "Eu não estou contente com o que nós fizemos até agora", disse Lula, reconhecendo as fragilidades do PAC 1. Na página 31 do relatório do novo PAC, o governo admite que "os investimentos em habitação e saneamento, mobilidade urbana, pavimentação e equipamentos sociais e urbanos, serão definidos entre abril e junho a partir do diálogo com Estados e municípios". Na mesma página do relatório, ao tratar dos "investimentos em logística e energia", o governo admite que existe apenas uma seleção que tem "caráter preliminar". Assim como o PAC 1, o novo plano nasce como uma reunião de propostas e projetos que transitam pelos ministérios. O PAC 1, lançado em janeiro de 2007, tem 54% dos projetos que nunca saíram do papel, 11,3% das obras concluídas e 34,7% das propostas em andamento. Para reforçar o viés da promessa eleitoral, o governo falou menos em grandes obras de infraestrutura e apresentou o novo PAC como um plano que reúne seis PACs. Como a promessa de construção de uma usina hidrelétrica tem pouco apelo eleitoral, o Planalto tratou o PAC 2 como um conjunto de investimentos em que "o dinheiro público será transformado em qualidade de vida e um futuro melhor para os brasileiros". Os seis planos dentro do novo PAC são: PAC Cidade Melhor, PAC Comunidade Cidadã, PAC Minha Casa e Minha Vida, PAC da Água e Luz para Todos, PAC dos Transportes e PAC da Energia. Ao ser questionada sobre prazos e cronograma de obras desses planos todos, a secretária de Acompanhamento e Monitoramento da Casa Civil, Miriam Belchior, foi taxativa: "Não temos bola de cristal". Na solenidade, que durou duas horas e 40 minutos, o cerimonial do Planalto escolheu o governador Jaques Wagner, da Bahia, para representar os demais chefes dos Estados. "Lula está refundando a nação brasileira", disse. Wagner é o governador petista candidato à reeleição, que enfrenta a oposição do PMDB, do aliado federal e ministro de Lula, Geddel Vieira Lima (Integração Nacional). Já o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), ex-tucano e aliado incondicional do governador Sérgio Cabral (PMDB), discursou representando os colegas. Ao discursar na cerimônia, o presidente da CUT, Arthur Henrique, defendeu o controle social da mídia. "A liberdade de imprensa não é liberdade privada", disse ele.

Edição EDIÇÃO 16961




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