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BRASIL
Quinta-feira, 21 de Junho de 2012, 21h:56

CASO CACHOEIRA

Justiça decide manter empresário na prisão

Juiz acusado de vazar informações para Cachoeira se defende de "especulações"

A Justiça do Distrito Federal decidiu manter preso o empresário Carlinhos Cachoeira, acusado de comandar um esquema de jogo ilegal e corrupção de agentes públicos. Cachoeira está detido desde o dia 29 de fevereiro, quando foi deflagrada a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. O desembargador Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, chegou a determinar a soltura do contraventor. Entretanto, outro decreto de prisão, da Operação Saint Michel, ainda não revogado, manterá Cachoeira preso. Os advogados de Cachoeira pediram à 5ª Vara do Distrito Federal a soltura de seu cliente. Mas o pedido foi negado. Os advogados de Cachoeira tentarão reverter essa decisão no final de semana. Caso tenham sucesso, não haverá mais restrições para que Carlinhos Cachoeira seja posto em liberdade. A ação policial investigou o empresário e esbarrou em suas relações políticas - levando a uma série de outros procedimentos, como a CPI do Cachoeira e o processo contra o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) no Conselho de Ética do Senado, que pode levar à cassação do seu mandato. DESEFA O juiz Leão Aparecido Alves divulgou ontem nota em que se defende das acusações de vazar informações da Operação Monte Carlo, que apurou suposto esquema de corrupção e exploração de jogos de azar liderado por Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Como titular da 11ª Vara Federal em Goiás, Leão deveria assumir o caso com a saída do colega Paulo Moreira Lima, ameaçado pelo crime organizado, mas se declarou impedido porque é próximo de Cachoeira e de José Olímpio Queiroga Neto, um dos principais auxiliares do empresário. Segundo Leão, a maior prova de que não houve vazamento de informações é que Cachoeira, Queiroga e os outros réus presos no dia 29 de fevereiro não fugiram. Interceptações da Polícia Federal datadas de 7 de fevereiro identificaram uma conversa de Cachoeira que faz suposta referência ao magistrado: "Dia 14 o Leão assume a Vara e ela ficou de avisar se vai ter prisão ou não”. O juiz afirma que, caso os acusados tivessem sido alertados sobre a decretação das prisões, que ocorreu em 14 de fevereiro, teriam tempo suficiente para se esconderem, já que as prisões ocorreram apenas 15 dias depois. Sobre a referência a seu nome na ligação telefônica, o magistrado diz que não pode se responsabilizar pelo que terceiros atribuem a ele e à mulher. "Lamentavelmente, nos dias de hoje, algumas pessoas se satisfazem apenas com especulações". O juiz argumenta, ainda, que as informações obtidas pelos acusados na Operação Monte Carlo não partiram de integrantes da Justiça Federal porque a fonte não sabia das interceptações e nem que as linhas habilitadas nos Estados Unidos podiam ser monitoradas, o que já era conhecido pelos servidores da 11ª Vara. O juiz explica as ligações entre linhas telefônicas de sua família e a de Cachoeira pela proximidade dos filhos, que estudam juntos há anos. "Melhor seria se tivesse havido a interceptação telefônica, porque nesse caso a exibição das conversas seria o suficiente para expor a verdade". Quanto às ligações telefônicas frequentes entre sua família e a de Queiroga Neto, ele informa que a irmã do réu é madrinha de seu filho. Leão Alves diz que recebeu apoio da corregedora nacional Eliana Calmon e do ex-corregedor do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) desembargador federal Cândido Ribeiro. "Tenho a convicção de que a investigação inocentará as pessoas atualmente colocadas [sob suspeição] apenas com base no que terceiros disseram em conversa telefônica, na condição de suspeitos", garantiu.

Edição EDIÇÃO 16960




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