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BRASIL
Segunda-feira, 13 de Julho de 2015, 20h:16

LAVA JATO

Juiz nega que CPI acesse a delação de empresário preso

A Justiça Federal negou o pedido do presidente da CPI da Petrobras, o deputado Hugo Motta (PMDB-PB), para que a comissão tenha acesso ao conteúdo da deleção premiada firmada entre Milton Pascowitch e o Ministério Público Federal (MPF). O despacho, assinado pelo juiz Sérgio Moro, é de sexta-feira e foi publicado no domingo. Pascowitch é empresário e foi apontado pelas investigações da Operação Lava Jato como um dos operadores do esquema de corrupção e desvio de dinheiro da estatal. O investigado relatou aos procuradores do MPF ter intermediado pagamento de propina ao ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu para que a Engevix, uma das empresas investigadas pela operação, mantivesse contratos com a Petrobras. Esta não é a primeira vez que o Judiciário veta o acesso às colaborações de suspeitos de envolvimento nas fraudes da Petrobras. Os deputados obtiveram a mesma resposta quando pediram para ler a delação de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras. No ofício, Motta afirma que a comissão precisa ter acesso, com a "maior brevidade", às informações. Ao decidir por indeferir o pedido, Moro destacou a importância do papel fiscalizatório da CPI, entretanto, afirmou que o sigilo é um imperativo da lei. A negativa prevaleceu mesmo com o compromisso de Motta pela manutenção do sigilo. Pascowitch e a Lava Jato Pascowitch foi preso durante a 13ª fase da Operação Lava Jato, em 21 de maio deste ano. Em 29 de junho, a Justiça Federal homologou o acordo de delação premiada no qual ele se comprometeu a passar informações sobre o esquema arquitetado na Petrobras em troca de benefícios, no caso de condenação. Desde então, Pascowitch cumpre prisão domiciliar. O advogado do empresário, Theodomiro Dias, não comenta a decisão do cliente em colaborar com as investigações. De acordo com o MPF e com a Polícia Federal, Pascowitch atuava como elo entre a diretoria de Serviços da Petrobras e o Partido dos Trabalhadores (PT). O contato era feito por meio da JD Consultoria, de propriedade do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, conforme a PF. Tanto o PT quanto Dirceu negam as irregularidades. Ainda segundo as investigações, Pascowitch atuava junto à Engevix, empreiteira com contratos com a estatal e que é acusada de pagar propinas a diretores.

Edição EDIÇÃO 16967




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