O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Grampos, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), anunciou, ontem, que vai contratar uma perícia particular, provavelmente da Unicamp, para verificar se as maletas da Polícia Federal fizeram escutas telefônicas clandestinas. Integrantes da CPI estão convictos que o laudo do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, que detectou a existência de cinco aparelhos de escuta ambiental e um equipamento capaz de fazer interceptação telefônica analógica na Abin, não é definitivo. "O laudo da PF é importante, mas persistem as dúvidas. Afinal de contas que tipo de estrutura dispõe a Abin", observou o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), um dos integrantes da comissão de inquérito. "Foi um laudo desenhado para não nos levar a uma conclusão e manter todas as portas abertas", disse o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), que também participa da CPI dos Grampos. Para Itagiba, o laudo da PF foi 'isento', mas ele suspeita que o grampo telefônico que captou a conversa entre o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) tenha sido feito por "uma estrutura paralela" da Polícia Federal com a Abin.