BRASIL
Terça-feira, 22 de Maio de 2007, 20h:19
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MÁFIA DA PROPINA
Investigado, Silas Rondeau pede demissão
Ministro é acusado de receber R$ 100 mil em propina da empreiteira Gautama; governo já discute nomes para sucedê-lo
O ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, entregou ontem à noite carta de demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Rondeau havia se reunido com Lula ontem à tarde, mas a reunião foi interrompida sem que uma solução sobre o futuro do ministro no cargo fosse anunciada. Antes do encontro com Rondeau, Lula teria se reunido com o senador José Sarney (PMDB-AP) e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) - padrinhos da indicação de Rondeau para o cargo. Rondeau é apontado pela Polícia Federal como suspeito de ter recebido, no ministério, R$ 100 mil de propina do empresário Zuleido Veras, dono da Construtora Gautama. Zuleido foi preso com outras 46 pessoas na semana passada pela Operação Navalha da Polícia Federal, todos sob a acusação de organizar uma máfia que fraudava licitações de programas governamentais como o Luz para Todos. O grupo se preparava, agora, para atacar também os empreendimentos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a menina-dos-olhos do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antes mesmo de ter uma definição sobre o destino do ministro, o governo já discutia com o PMDB possíveis sucessores no cargo na tarde de ontem. Em encontro com Lula, Sarney apresentou duas indicações. A primeira delas é de José Antonio Muniz Lopes, que já foi presidente da Eletronorte e atualmente está na iniciativa privada. A outra indicação de Sarney é de Astrogildo Quental, que foi diretor financeiro da Eletronorte. PROVAS No Ministério de Minas e Energia a situação de Rondeau era considerada crítica porque as provas da PF sobre o envolvimento do assessor especial Ivo Almeida Costa são consideradas consistentes e demolidoras. O envolvimento de Ivo, que trabalha há mais de uma década na condição de homem de confiança de Rondeau, com o lobista da Gautamo Sérgio Sá é considerado comprometedor. Nas gravações, Sérgio Sá presta contas ao empreiteiro Zuleido Veras de assuntos tratados com assessores do ministério, que, depois, são confirmados por escutas telefônicas, documentos, fotos e movimentações financeiras. Segundo fontes da PF, é improvável que Sérgio Sá estivesse blefando e usando o nome do ministro para se promover e mostrar serviço. CLÃ SARNEY Ao dar posse ao engenheiro eletricista Silas Rondeau Cavalcante Silva como ministro de Minas e Energia, em julho de 2005, o presidente Lula afirmava: O Silas tem 30 anos de experiência no setor elétrico. Foi chamado não por minha amizade, ou pela do (José) Sarney ou do Renan (Calheiros), mas por sua competência. Havia motivos para essa explicação. Aos 54 anos, esse maranhense de Barra do Corda, pai de dois filhos e flamenguista desde criancinha é, além de grande conhecedor de sua área, um curinga importante nos movimentos de Sarney - e, mais recentemente, também de Renan. Por três décadas, desde que se formou pela Universidade Federal de Pernambuco, ele foi subindo de cargos médios para o topo em órgãos como a Companhia de Eletricidade do Maranhão, a Manaus Energia e a Eletronorte. Presidiu a Eletrobrás de 2004 a 2005, quando sucedeu Dilma Rousseff no ministério. Sua fidelidade ao clã Sarney o levou ao Maranhão, na campanha de 2006, para inaugurar um projeto do Luz para Todos. Repetiu a dose no Amapá, onde a vitória de Sarney parecia ameaçada. Sua escolha foi, ela própria, uma clara recompensa a Sarney: na ocasião, o ex-presidente não havia conseguido emplacar no ministério, como prometido, a ex-governadora Roseana Sarney. NOTA Rondeau diz que sai do Ministério de Minas e Energia para impedir que o setor energético seja prejudicado. Em nota, ele afirma que quer evitar que a imagem do governo seja de algum modo afetada. Na nota, Rondeau reafirma sua inocência nas denúncias que vinculam seu nome à corrupção em licitações públicas. "Reafirmo minha completa e absoluta inocência em relação às denúncias levantadas contra minha pessoa na certeza de que tudo será esclarecido."