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BRASIL
Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009, 08h:42

DEPUTADOS

Instalada CPI da Corrupção no RS

ELDER OGLIARI
Da Agência Estado - Porto Alegre
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Corrupção foi instalada ontem na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, já sob clima de disputa política entre deputados aliados da governadora Yeda Crusius (PSDB) e da oposição. A reunião durou 30 minutos e confirmou Stela Farias (PT) como presidente, Gilberto Capoani (PMDB) como vice e Coffy Rodrigues (PSDB) como relator. O trabalho começa na próxima terça-feira (1º de setembro) às 17 horas, e deve ser concluído até 26 de dezembro. Nesse período, os deputados vão investigar se agentes públicos do Executivo foram operadores, intermediários ou beneficiários da fraude que desviou R$ 44 milhões do Detran entre 2003 e 2007 ou de irregularidades em licitações de merenda escolar, serviços e obras públicas nos 14 inquéritos ainda sigilosos decorrentes da Operação Solidária, da Polícia Federal. A primeira polêmica surgiu de um requerimento entregue por Rodrigues à secretaria da CPI logo depois da instalação e revelou que haverá fortes divergências entre os detentores dos dois principais cargos da comissão. A proposta estabelece que o relator, no caso o próprio Rodrigues, tenha prazo até a segunda reunião ordinária, na segunda semana de setembro, para elaborar um plano de trabalho, prerrogativa que Stela diz ser dela. Também limita o tempo das sessões a duas horas, prorrogáveis por mais duas, e o das perguntas dos deputados e respostas de quem prestar depoimentos a três minutos. "Todos os pedidos serão analisados, mas eu vou coordenar os trabalhos, conforme o regimento da casa", afirmou a petista, indicando que vai rejeitar a proposta de Rodrigues. "Essa é uma casa política, na qual o plenário é soberano", sustentou, logo depois, no corredor, o tucano, convicto de que se conseguir levar o assunto à votação poderá vencer a queda-de-braço. A CPI tem 12 deputados, com ampla maioria dos governistas, que têm oito cadeiras contra quatro da oposição. Essa vantagem deixa os aliados de Yeda em condições de impor suas vontades, bloquear requerimentos, blindar personagens e aprovar o relatório que Rodrigues, um dos mais ardorosos defensores do governo na Assembleia, elaborar. E eles já se mostram dispostos a barrar a convocação para depoimento de pessoas próximas à governadora, como o marido Carlos Crusius, o ex-secretário-geral de governo Delson Martini e a assessora especial Walna Vilarins Meneses, sob a justificativa de que eles já são réus da ação de improbidade administrativa que o Ministério Público Federal move contra Yeda e outros oito demandados.

Edição EDIÇÃO 16962




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