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BRASIL
Quarta-feira, 14 de Março de 2012, 21h:27

POSSE/MINISTRO

Impera clima de insatisfação no campo

LUCIANA LIMA
Da Agência Brasil – Brasília
A presidente Dilma Rousseff empossou ontem o novo ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, em substituição de Afonso Florense. Ao assumir a pasta, Pepe Vargas (PT-RS) encontrará um cenário muito mais tenso no campo do que o encontrado pelo seu antecessor, Afonso Florence (PT-BA), no início do governo da presidente Dilma Rousseff. Irritados com o que consideram “lentidão” e “falta de compromisso” do governo com a questão agrária, os movimentos de trabalhadores rurais tomaram a decisão de se unificarem na jornada de lutas e prometem um Abril Vermelho muito mais vigoroso. “Como a pauta agrária no início do governo Dilma não avançou, as desapropriações foram vergonhosas, pior índice dos últimos 16 anos, isso gera uma coisa conflituosa”, analisou um dos coordenadores nacionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Alexandre Conceição. “Este ano será um ano atípico na luta no campo que será muito mais forte, sem dúvida”, afirmou. O Abril Vermelho consiste em uma série de manifestações e ocupações feitas anualmente pelo MST para lembrar o massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 17 de abril de 1996 no Pará, e pedir agilidade na reforma agrária. O MST esteve engajado na campanha da presidenta Dilma Rousseff e, em abril do ano passado, de acordo com Conceição, a relação com o novo governo ainda se definia. “Como na campanha ela assumiu o compromisso de dar continuidade ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nós entendemos que seria dar continuidade às desapropriações”, destacou. No entanto, ao final de um ano de governo, de acordo com dados do MST, somente 22 mil famílias foram assentadas. Só do MST, há cerca de 100 mil famílias esperando pelas desapropriações de terra. “O governo ficou paralisado na desapropriação de terras. Houve o corte no orçamento, a demora em nomear o presidente do Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária]. A presidenta assinou um único decreto de desapropriação em dezembro. A burocracia do governo é que gerou esse descontentamento no campo, tanto é que nós, do campo, já fizemos o lançamento público e um chamado de vários movimentos do campo para uma luta conjunta. Já houve a mobilização das mulheres do MST, marcando o dia 8 de março, e, ontem, nos estados do Sul, foram paralisadas várias agências do Banco do Brasil”, destacou Conceição.

Edição EDIÇÃO 16962




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