BRASIL
Sexta-feira, 29 de Junho de 2007, 19h:49
A
A
IML identifica mais oito vítimas
Mais oito dos 19 mortos na megaoperação no complexo do Alemão (zona norte do Rio) na quarta-feira (27) foram identificados pelo IML (Instituto Médico Legal). Mesmo com a afirmação do governo de que todos as vítimas seriam criminosos, a Polícia Civil não soube informar quais os antecedentes criminais dos mortos identificados. As famílias das vítimas dos confrontos acusaram a polícia de ter matado inocentes e feridos já sem possibilidade de reação. Três adolescentes de 13, 14 e 16 anos estão na lista oficial dos mortos por policiais. Na quinta-feira o IML identificou nove dos 19 mortos. Foram identificados Bruno de Paula Gonçalves, 20, Bruno Rodrigues Alves, 21, Bruno Vianna Alcântara, 22, D. S. L., 14, Emerson Goulart, 26, Geraldo Batista Ribeiro, 41, José da Silva Farias Júnior, 18, L. S. G., 13, e M. V. S., 16. Ontem foram identificados mais oito vítimas: Marcelo Luiz Madeira, 27, Paulo Eduardo dos Santos,18, Alexandro José de Almeida, Jairo César da Silva Caetano, 28, Rafael Bernardino da Silva, 20, Luiz Eduardo Severo Madeira, 35, Uanderson Gandra Ferreira, 27, e Kleber Mendes. EXUMAÇÃO O presidente da comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio, João Tancredo, defendeu ontem a exumação dos corpos de vítimas da operação policial de quarta-feira no complexo de favelas do Alemão, na zona norte da cidade. Dos dezenove mortos pela polícia, pelo menos sete já foram enterrados. O advogado pretende fazer a sugestão a parentes das vítimas durante reunião marcada para hoje na associação de moradores da Favela da Grota. Quatro sepultamentos estão previstos para este sábado. A OAB quer uma necropsia independente para apurar denúncias de que 11 das vítimas não teriam envolvimento com o tráfico. Integrantes da comissão foram impedidos pela direção do Instituto Médico Legal (IML) de acompanhar o exame dos corpos. "A comissão de Direitos Humanos não é comissão de bandido", afirmou Tancredo. Advogado da família de Mário Josino, assassinado em 1997 pela Polícia Militar na Favela Naval, em Diadema (SP), ele disse considerar "muito estranho" o fato de a Secretaria da Segurança não aceitar o acompanhamento das necropsias por um perito indicado pela comissão.