A Anef considera razoável limite de 36 meses para financiamento e não acredita numa redução de vendas se o prazo for encurtado
O presidente da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), Luiz Montenegro, considera o limite de 36 meses para financiamento de veículos razoável. "É claro que as montadoras e bancos tem que sentar e discutir a proposta. Mas a princípio, 36 meses me parece um plano razoável e sustentável." EUA Ele lembra que nos Estados Unidos a média de financiamento para veículos é de 60 meses e no Brasil, até janeiro estava em 42 meses. "Mas essa questão depende muito da conjuntura. Ele não acredita numa redução de vendas se o prazo de financiamento for encurtado para 36 meses. "A projeção da Anfavea de crescimento de 17,5% do setor para este ano deve ser mantida, a princípio. Mas tudo isso será debatido nos próximos dias." ANFAVEA A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotivos (Anfavea) não quis comentar a possível tentativa do governo de restringir o crédito para automóveis. Algumas concessionárias, porém, já se preocupam com uma eventual queda nas vendas caso as medidas restritivas se concretizem. Na revendedora Itavema, uma das maiores redes de concessionárias Fiat do País, 80% das vendas da loja são financiadas, por um prazo médio de 60 meses. Segundo o gerente Cristiano Moreno, uma eventual restrição nas condições de crédito afetaria diretamente as vendas. "Vai prejudicar muita gente", disse. LOJA Na revenda Volks Caraiguá, as vendas com financiamento correspondem a 70% do total. Apenas 10% das pessoas que fazem o financiamento na loja optam por dividir em menos de 36 prestações. Segundo o diretor Rui Pondé, boa parte desses consumidores podem migrar para o consórcio. "Me parece loucura restringir o crédito com a economia em expansão desse jeito", afirma Pondé. Ele acredita que o governo terá dificuldades em conter o consumo de automóveis já que as vendas no primeiro bimestre desse ano continuaram crescendo (cerca de 40%), mesmo com o aumento no imposto sobre operações financeiras (IOF), que incide sob a taxa de juros.