BRASIL
Quarta-feira, 06 de Abril de 2011, 21h:30
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QUEDA DO DÓLAR
Governo faz nova tentativa de conter
LUCIENE CRUZ e WELLTON MÁXIMO
Da Agência Brasil Brasília
Os bancos e as empresas que pegarem dinheiro emprestado no exterior por menos de dois anos pagarão Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6%, anunciou há pouco o ministro da Fazenda, Guido Mantega. É a terceira tentativa do governo para contar a queda da cotação do dólar em um semana. Mantega disse que a medida também afetará a oferta de crédito e punirá quem pega dinheiro emprestado no exterior para fazer especulação. Hoje, as empresas costumam tomar empréstimos para prazo mais longo. Quem quer fazer arbitragem [aproveitar-se da diferença de juros entre o Brasil e os países desenvolvidos para trazer dólares] toma para prazos mais curtos. Além de reduzir fluxo de capital de dólares, estamos procurando diminuir oferta de crédito para a economia brasileira. Em outubro do ano passado, o governo aumentou de 2% para 6% o IOF sobre a entrada de moeda estrangeira em aplicações em renda fixa. A medida foi insuficiente para conter o ingresso de dólares, que superou a saída em US$ 12,6 bilhões em março. Apenas no primeiro trimestre, a entrada líquida somou US$ 35,5 bilhões, o maior valor da história. Na semana passada, o governo anunciou duas medidas, o aumento em seis pontos percentuais do IOF sobre compras no exterior em cartão de crédito e a cobrança do imposto sobre empréstimos diretos e captações de recursos no mercado internacional. O governo já havia anunciado a cobrança de IOF nessas operações, mas o prazo era de 360 dias. Agora foi ampliado para 720 dias. CRÍTICAS As recomendações do Fundo Monetário Internacional (FMI) para lidar com a desvalorização do dólar são ineficazes, disse ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Para ele, as sugestões do órgão internacional quebrariam o país. Se fizermos o que está relatado ali, o país quebra primeiro e depois toma medida de controle de capitais, disse o ministro. Não vejo essas medidas como oportunas. Ontem (5), o FMI divulgou relatório que recomenda a adoção de medidas de controle sobre o ingresso de capital somente após a redução dos juros e o aperto fiscal. Sobre a possibilidade de o aumento dos juros básicos pelo Banco Central neutralizar o impacto da medida anunciada ontem, Mantega disse que a taxação está conseguindo reduzir a rentabilidade dos recursos que entram no país para especulação financeira. Quando se taxa em 6% uma operação que rendia 11,75% [valor atual da taxa Selic], a aplicação rende apenas a metade. O ministro afirmou que os juros estão elevados, mas por causa da inflação. Nós olhamos para o câmbio, mas o Banco Central tem de olhar para a inflação, não para a cotação do dólar. A Fazenda não trabalha com previsão para a taxa de juros.