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BRASIL
Quarta-feira, 07 de Julho de 2010, 20h:59

CASO BRUNO

Goleiro se entrega e é indiciado por seqüestro

Laudo aponta que sangue em Range Rover é mesmo de Eliza Samudio

PEDRO DANTAS e GABRIELA MOREIRA
Da Agência Estado - Rio
O goleiro do Flamengo Bruno Fernandes e seu amigo Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, se entregaram ontem à tarde na Polinter do Andaraí, na zona norte do Rio, menos de 12 horas depois de terem a prisão decretada pela Justiça a pedido do Ministério Público do Estado. Os dois e ainda o adolescente J., primo de Bruno, que prestou depoimento anteontem na delegacia, foram indiciados pela polícia pelo sequestro da ex-amante do goleiro, Eliza Samudio, de 25 anos, desaparecida desde 4 de junho. O homicídio da jovem está sendo investigado pela polícia de Minas Gerais, onde ela teria sido morta. A Polícia Civil de Minas Gerais anunciou que vestígios de sangue localizados na caminhonete Range Rover do goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes, são mesmo de Eliza Samudio, de 25 anos. Anteontem, J. afirmou que Eliza foi sequestrada no Rio e morta em Contagem (MG), onde foi mantida encarcerada no sítio do goleiro. "O depoimento do menor é sólido. Bruno está indiciado como mandante do sequestro e os outros dois como executores. O grande beneficiado desse sequestro foi o Bruno", afirmou o titular da Divisão de Homicídios (DH) do Rio, delegado Felipe Ettore. Durante todo o dia a polícia recebeu várias ligações do disque-denúncia, que informavam que ele estava na casa de uma amante em Santa Cruz, na zona oeste. Uma equipe de agentes permaneceu na casa durante todo o dia e foi lá que soube, por meio de moradores da casa, que ele se entregaria na Polinter do Andaraí. A unidade de polícia é bem longe da Divisão de Homicídios, na Barra da Tijuca (zona oeste), que apura o sequestro de Eliza. SEM EXPRESSÃO Com o semblante fechado, Bruno não esboçou sentimentos ao sair da delegacia. Macarrão estava aparentemente abatido e com olhar assustado. Com a notícia da prisão de Bruno, mais de 200 pessoas se aglomeraram em frente à delegacia e a polícia precisou fechar o prédio para que a população não invadisse. Eles gritavam "burro" e "assassino". Menos de uma hora depois de se entregar, o goleiro e Macarrão foram levados para a DH, onde foram ouvidos ontem à noite. Segundo a polícia, ele poderia ser levado para Minas Gerais, onde o homicídio de Eliza é investigado, ainda na madrugada de ontem. O goleiro estava acompanhado de seu advogado Michel Assef Filho, que não quis dar declarações à imprensa. Os policiais que ouviram os relatos de J. sobre a morte de Eliza disseram que o teor do depoimento era de "embrulhar o estômago". Segundo o adolescente, Eliza recebeu as coronhadas no carro a caminho de Contagem (MG). Ao chegar a Minas Gerais, teria ficado em cárcere privado por quase uma semana, antes de ser morta por estrangulamento. O menor disse que Bruno chegou ao sítio dois dias depois de Eliza, mas os agentes acham que essa parte do depoimento pode ser fantasiosa, pois Bruno teria chegado junto com o grupo, mas em outro carro. Dayanne, a mulher do goleiro, já esperava por todos no sítio. ABORTO O promotor Alexandro Murilo Graça, que estava com o inquérito de tentativa de aborto, relatado pela Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM), de Jacarepaguá, disse que ele não será denunciado pelo crime porque não foram encontradas substâncias abortivas na urina de Eliza, colhida oito meses atrás. Neste inquérito, no entanto, o goleiro e Macarrão foram denunciados ontem pelos crimes de sequestro/cárcere privado e de lesão corporal. Em outubro de 2009, os dois sequestraram Eliza Silva Samudio, que estava grávida, e tentaram forçá-la a abortar porque ela queria que Bruno assumisse a paternidade da criança. "Eliza denunciou que tomou um líquido que ela imaginava ser um abortivo, mas isso não foi comprovado pela perícia. Não significa que não seja verdade, mas o exame não detectou", disse Graça.

Edição EDIÇÃO 16967




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