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BRASIL
Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008, 19h:38

MEGA-SENA

Ganhador é morto; suspeito nega o crime

Um dos suspeitos pela morte do ganhador da Mega-Sena e que ficou fora do bolão, compareceu à delegacia de Limeira para prestar depoimento e negou o assassinato

TATIANA FÁVARO
Da Agência Estado – Limeira
A Polícia Civil de Limeira, a 151 quilômetros de São Paulo, investiga o assassinato do comerciante Altair Aparecido dos Santos, de 44 anos, morto com um tiro no peito na noite de domingo, após churrasco realizado em sua chácara, no condomínio de classe média Residencial Portal das Flores. Em maio do ano passado, Santos ganhou com mais 13 colegas o prêmio de R$ 16 milhões na Mega-Sena. Duas pessoas que costumavam jogar com o grupo em um bar de propriedade de Santos não tinham pago o valor da aposta e foram deixadas de fora do rateio do prêmio. Uma delas, o aposentado Dorgival Bezerra de Oliveira, de 52 anos, foi apontado como principal suspeito do crime pela família de Santos, ontem (16). Segundo disse à polícia na noite do crime a esposa da vítima, Maria Izabel Cano dos Santos, seu marido teria sido ameaçado por Oliveira com a frase "Limeira está pequena para nós dois", três dias antes do assassinato. Ao tomar conhecimento de que a polícia o procurava, Oliveira apresentou-se na tarde de ontem à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) e negou o crime e a ameaça. "Eu nunca fiz nenhuma ameaça, isso é maldade com a gente. Fizeram isso para se aproveitar, já que eu estava no 'rolo' da Mega-Sena", afirmou em entrevista. Em depoimento, Oliveira admitiu ter dito que não havia mais lugar para ele na cidade, que pretendia mudar-se de Limeira para fazer um tratamento médico e também que o chateava ver os amigos fazendo festas com dinheiro sobre o qual ele disse ter direito. "A gente sempre jogava junto, às vezes um não pagava antes, mas ele (Altair) cobrava depois. Foi isso que aconteceu da vez que saiu o prêmio", afirmou. Meses após o sorteio, cada um dos ganhadores deu uma parte em dinheiro para as duas pessoas que não tinham participado oficialmente daquela aposta. Oliveira disse ter recebido R$ 270 mil. "Depois disso, eu até pedi mais R$ 25 mil para o Altair. Ele pediu 15 dias para pensar, disse que já tinham feito o que dava e ficou por isso mesmo." O titular da DIG, João Batista Vasconcelos, descartou a possibilidade de pedir, neste momento, a prisão de Oliveira. "Ele é suspeito em tese, porque essa possibilidade foi aventada pela família", afirmou Vasconcelos. "Mas não vejo nenhuma necessidade de pedir a prisão e nem nenhum indício de que tenha sido ele (Oliveira)", afirmou. O delegado ainda completou: "Ele (Oliveira) é bem coerente no que fala". Oliveira foi liberado após depor. A polícia ouve nesta terça-feira (18) os parentes, vizinhos e amigos de Santos. O aposentado informou que na noite do domingo deixou sua neta na casa da filha e tinha ido a uma lanchonete que costuma freqüentar, por volta de 21h30. "Pedi dois lanches e estava tomando minha cervejinha. Voltei para casa uns 40 minutos ou mais depois disso", afirmou.

Edição EDIÇÃO 16967




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