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BRASIL
Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2007, 18h:29

SALÁRIO

Força aceita mínimo de R$ 408,9

ANNE WARTH
Da Agência Estado - São Paulo
A nova proposta de reajuste do salário mínimo feita pelo relator da Comissão Mista de Orçamento, deputado José Pimentel (PT-CE), foi bem avaliada pelo presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho. O valor inicial, de R$ 407,33, foi elevado para R$ 408,90, e passaria a ser pago a partir de abril. O cálculo é feito com base no projeto de lei 42/07, que estabelece como regras para a correção a inflação do ano anterior medida pelo INPC, acumulada em 4,15% até novembro, mais a taxa de crescimento do PIB de dois anos anteriores, apurada pelo IBGE em 3,8% em 2006. Paulinho ressaltou que vai aguardar o fechamento do INPC neste ano para conferir se a lei, resultado de um acordo entre as centrais e o governo, foi cumprida. Embora considere o valor distante das necessidades do brasileiro, o dirigente admite que o cumprimento da lei ao longo dos anos é mais importante do que dobrar o mínimo de um ano para o outro. "Se o valor bater com o cálculo feito pelas centrais, vamos concordar, porque fizemos um acordo com o governo que estabelece esse cálculo até 2023", disse. Segundo ele, o mínimo ficou defasado devido a sucessivos anos sem correção da inflação, e caso o valor tivesse sido corrigido desde sua criação, em 1940, estaria hoje em R$ 1.540. "Ele ficou muito defasado, mas o melhor caminho para recuperar seu poder de compra é obter aumentos reais todos os anos, como tivemos nos últimos quatro anos", admitiu. Paulinho ironiza críticas de que os aumentos reais do salário mínimo resultam em um grande impacto nas contas públicas por conta do crescimento das despesas, já que mínimo é usado como piso para as contribuições de aposentados e pensionistas da Previdência Social. "Os acordos fechados pelos sindicatos para obter aumentos reais para a grande maioria das categorias profissionais e os reajustes do salário mínimo são os responsáveis pelo aumento da renda e do consumo das famílias, que impulsionaram o crescimento econômico", defende. Na avaliação dele, os críticos dessa política são uma minoria que "acredita que o melhor, para o capitalismo, é não pagar o trabalhador e tratá-lo como escravo". "São pessoas que só pensam nelas mesmas, e não no País", finalizou.

Edição EDIÇÃO 16962




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