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BRASIL
Terça-feira, 14 de Julho de 2015, 19h:52

BUSCAS

Federal faz apreensões na casa de Fernando Collor

A operação foi para cumprir 53 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF

A Polícia Federal deflagrou, na manhã de ontem, uma operação para cumprir 53 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra políticos com foro privilegiado que foram alvos de seis inquéritos instaurados na Corte a partir da Operação Lava-Jato. Os mandados foram cumpridos em seis estados e no Distrito Federal. A operação foi batizada de Politéia e faz referência ao livro “A República” de Platão, que descreve uma cidade perfeita, de virtudes, onde a ética prevalece sobre a corrupção. A Polícia Federal realizou buscas na casa de investigados, em seus endereços funcionais, sedes de empresas, em escritórios de advocacia e órgãos públicos. Entre os alvos do mandado está o senador Fernando Collor de Mello (PTB), em Alagoas. Foram feitas buscas na casa do parlamentar e na TV Gazeta, afiliada da TV Globo no estado, que pertence à família do ex-presidente. Na casa da Dinda, residência do senador em Brasília, foram apreendidos três veículos de luxo: uma Ferrari, um Porsche e uma Lamborghini. Outros alvos foram os também senadores Fernando Bezerra (PSB-PE) e Ciro Nogueira (PP-PI),o deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE), o ex-deputado João Pizzolatti (PP-SC), hoje secretário de Articulação Institucional do governo de Roraima, além do ex-ministro Mário Negromonte, que atualmente é conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia. Eles estão na lista de políticos investigados pelo STF. No Rio, a PF cumpriu mandado de busca e apreensão numa unidade de Petrobras, na rua do Senado, no Centro. Lá, os agentes tiveram que arrancar a porta da sala de José Zonis, gerente de suprimento internacional de compra de gás natural e comercialização, porque ele não estaria no prédio. Zonis teria sido indicado pelo senador Fernando Collor e pelo presidente do Senado, Renan Calheiros. Inicialmente surgiu a informação de que houve buscas na BR Distribuidora, no Rio, o que não ocorreu. Segundo investigadores, além de Zonis, outro dirigente da Petrobras também é alvo da operação: Luiz Cláudio Caseira Soares. Na ação de busca realizada em São Paulo foram apreendidos R$ 3,67 milhões. Os agentes da PF cumpriram quatro mandados de busca e apreensão contra Pizzolatti em Santa Catarina. As buscas se deram na residência de sua ex-mulher, num sítio de sua propriedade em Pomerode (SC), no escritório de um ex-sócio do parlamentar e também na sua residência. A refinaria Abreu e Lima, em Ipojuca, região metropolitana de Recife (PE), foi outro local em que foram realizadas buscas pela Polícia Federal. O empreendimento é apontado como um dos principais alvos do esquema de corrupção na Petrobras investigado na Lava-Jato. Os mandados, expedidos pelos ministros do STF Teori Zavascki, Celso de Mello e Ricardo Lewandowski, foram cumpridos no Distrito Federal (12), Bahia (11), Pernambuco (8), Alagoas (7), Santa Catarina (5), Rio de Janeiro (5) e São Paulo (5). Cerca de 250 policiais federais participaram da ação. INVESTIGAÇÕES A operação acontece em virtude de representações da PF e do Ministério Público Federal (MPF) nas investigações que tramitam no Supremo e tem como objetivo principal evitar que provas importantes sejam destruídas pelos investigados. Foram autorizadas apreensões de bens que possivelmente foram adquiridos pela prática criminosa. As medidas foram requeridas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. “As medidas são necessárias ao esclarecimento dos fatos investigados no âmbito do STF, sendo que algumas se destinaram a garantir a apreensão de bens adquiridos com possível prática criminosa e outras a resguardar provas relevantes que poderiam ser destruídas caso não fossem apreendidas”, afirmou Janot. Os investigados respondem a crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, fraude a licitação, organização criminosa, entre outros. As decisões do STF que permitiram as buscas e apreensões nas casas de políticos e outros investigados na Lava-Jato partiram de três ministros, entre eles o relator dos inquéritos, Teori Zavascki. O presidente do STF, Ricardo Lewandowski, e o decano, ministro Celso de Mello, também autorizaram parte das buscas porque as decisões foram tomadas já no plantão da suprema Corte.

Edição EDIÇÃO 16965




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