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BRASIL
Segunda-feira, 10 de Maio de 2010, 20h:17

COMBATE À FOME

FAO destaca tecnologia nacional

FABÍOLA SALVADOR e LEANDRO COLON
Da Agência Estado - Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou hoje o discurso político na solenidade de inauguração do Centro de Estudos Estratégicos e Capacitação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Ele disse que o governo não enxerga os pequenos e pobres apenas em ano eleitoral e também que o Brasil se importa com a situação de outros países "Não é uma nação mesquinha para cooperação internacional", disse ele, lembrando que o País é parceiro para o desenvolvimento do Oriente Médio e da América Latina. Ele afirmou que as responsabilidades do Brasil "transcendem as fronteiras nacionais". Para Lula, essas questões serão tratadas pelo centro de estudos da Embrapa. O presidente lembrou que mais de 200 milhões de pessoas padecem de fome crônica na África. As parcerias, disse, podem combater a desigualdade. Lula disse ainda que a Savana africana abrange 25 países, que têm características semelhantes ao cerrado brasileiro. "Nossa tecnologia pode semear polo agrícola de potencial superior ao cerrado brasileiro", completou. Em seu discurso, o presidente lembrou que o País terá a maior safra de grãos de sua história e que serão colhidas 147 milhões de toneladas. Ele disse que o Brasil é o terceiro maior exportador mundial de produtos agrícolas, atrás apenas dos Estados Unidos e da União Europeia. Lula brincou no início de seu discurso e disse que a Embrapa, que inventou tanta coisa, "poderia ter inventado algo para acabar com os mosquitos". FAO O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Jacques Diouf, afirmou ontem que o Programa Fome Zero reduziu de forma significativa a pobreza e a insegurança alimentar no Brasil. Em discurso no Itamaraty, durante o encontro "Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural", ele disse que o número de pessoas que passam fome no Brasil caiu 28% em apenas quatro anos: de 16,6 milhões em 2000/2002 para 11,9 milhões em 2004/2009. Diouf disse ainda que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) tem capacidade para transferir para países africanos recursos genéticos do arroz, feijão, mandioca, sorgo e milho. Ele lembrou ainda que, para garantir a segurança alimentar, a agricultura africana precisa obter ganhos de crescimento significativo nos próximos 40 anos. "A população africana deve duplicar até 2050, chegando a 2 bilhões de habitantes, sendo 62% nas áreas urbanas", completou. CONDECORAÇÃO No encontro, a diretora executiva do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA), Josette Sheeran, também destacou o Fome Zero e lembrou que o programa "custa menos de 2% do orçamento nacional". Ela também não deixou de citar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse que o elogio que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez ao presidente brasileiro "tem a ver com a sua batalha no Brasil e no mundo". No encontro, Josette Sherran condecorou o presidente Lula como "Campeão Mundial na Luta contra a Fome". "O governo do Brasil e o Programa Mundial de Alimentos compartilham uma visão comum de um mundo livre de fome", disse. A diretora contou que visitou a região Nordeste do Brasil, onde conheceu um homem que era assalariado até há alguns anos. Segundo ela, depois de receber a ajuda do governo, esse homem é dono de sete hectares e de um caminhão. "Agora ele não precisa mais do Bolsa Família e nunca falhou no empréstimo", disse. "O presidente Lula deu o melhor presente a seu povo: a esperança", completou.

Edição EDIÇÃO 16968




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