BRASIL
Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010, 20h:57
A
A
ALEMÃO E VILA CRUZEIRO
Exército ficará nas favelas até julho
O modelo de atuação não será, porém, nos moldes das UPPs. As tropas do Exército terão um comando militar e poderão reagir em caso de risco à segurança
TÂNIA MONTEIRO
Da Agência Estado Brasília
Mesmo contrariado, o Exército vai permanecer no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro até julho de 2011. As tropas federais substituirão as polícias Civil e Militar nas duas comunidades ocupadas no Rio de Janeiro. A avaliação da cúpula é que há um consenso político, irradiado a partir do Planalto, que prega a permanência das tropas nos morros e torna a ampliação da missão irreversível. Ontem, o governador do Rio, Sergio Cabral Filho (PMDB), encontrou-se com a presidente eleita, Dilma Rousseff. Acrescente-se à pressão política, o clamor da população, que apoiou maciçamente a operação contra o tráfico e a presença do Exército nas ruas. Os militares, porém, estão preocupados com a mudança da missão, que deixará de ser apenas de vigilância de perímetro, isto é, de controle das entradas e saídas do morro, para se tornar uma tarefa de quase policial, desempenhada no interior do Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro. O receio do comando é que a duração da missão somada ao novo perfil de operação coloque os militares em contato íntimo com o narcotráfico, que pode contaminar setores do Exército. De acordo com fontes militares ouvidas pelo Grupo Estado, o prazo combinado com o governo do Rio de Janeiro é suficiente para formar novas turmas de PMs para atuar na região, com a inauguração de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nas duas comunidades. Nesse período de quase oito meses, o efetivo de 800 homens do Exército dever ser mantido. O modelo de atuação não será, porém, nos moldes das UPPs. As tropas terão um comando militar e poderão reagir em caso de risco à segurança. A reportagem apurou que a Defesa editará uma nova Diretriz Ministerial para resguardar de complicações legais o eventual uso da força pelas tropas, em caso de necessidade. Na última quinta-feira, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, editou a Diretriz Ministerial nº 14, que determinou apenas o reforço do apoio, como a disponibilidade de blindados, ao governo do Rio de Janeiro nas operações de combate à onda de criminalidade. Segundo militares, a legislação sobre operações de "Garantia da Lei e da Ordem (GLO)" abriga a nova missão do Exército. A mudança, porém, é necessária para deixar claras as novas atribuições. Ontem, o Ministério da Defesa divulgou nota dizendo que foram "atingidos os primeiros objetivos" e que permanecem em contínua coordenação com as autoridades estaduais para avaliar os "meios necessários para as próximas etapas das ações".