BRASIL
Terça-feira, 13 de Junho de 2006, 19h:45
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INVESTIGAÇÃO
Exame pode abrandar pena de Edinho
O juiz Edegar de Sousa Castro, da 1ª Vara Criminal de Praia Grande, no litoral de São Paulo (86 km ao sul da capital), determinou a realização de um exame para averiguar se o ex-goleiro Edson Cholbi Nascimento, o Edinho, filho de Pelé, era dependente de entorpecentes e se ele tinha consciência de seu envolvimento com o crime. O mesmo exame foi requerido para Ronaldo Duarte Barsotti de Freitas, o Naldinho, acusado pela polícia de comandar o tráfico de entorpecentes na região da Baixada Santista. Esse exame normalmente é realizado por um psicólogo e por um psiquiatra. Em uma espécie de entrevista, o réu conta seu histórico de consumo de entorpecentes, quais as drogas que usava, quais sintomas sentia e por quanto tempo elas foram consumidas. A partir daí, o psiquiatra emite um parecer a respeito da dependência ou não. A pena dos acusados vai depender desse resultado, já que o exame também avalia se a responsabilidade criminal pode ser atribuída a eles ou não. Os dois foram presos em 6 de junho do ano passado, em operação realizada pelo Denarc (Departamento de Investigações sobre Narcóticos). Nesse caso, outras dez pessoas estão sendo processadas. Gravações telefônicas entre os acusados foram usadas como provas. "Como o réu Ronaldo e o réu Edson se declararam dependentes, viciados em entorpecentes, instaurei esse incidente [de dependência toxicológica] para verificar se eles eram ou não dependentes e se essa dependência afetava o entendimento quanto ao caráter ilícito do fato", afirmou o juiz. A determinação foi feita há aproximadamente 20 dias e deve correr em paralelo ao processo. "É possível que a pessoa, em razão das drogas, fosse totalmente incapaz de entender o caráter ilícito dos fatos. Nesses casos, o juiz não aplica pena." Em dezembro, Edinho teve sua liberdade provisória concedida pelo STF (Supremo Tribunal Federal), mas ficou apenas 48 dias solto. Nesse período, chegou a iniciar tratamento em uma clínica de reabilitação. No dia 2 de fevereiro deste ano, o ex-goleiro foi preso sob acusação de lavagem de dinheiro, em um outro processo que também tramita na 1ª Vara Criminal de Praia Grande. Segundo o juiz que acompanha os casos, o primeiro processo - associação ao tráfico - está adiantado. O outro, de lavagem de dinheiro, está na fase inicial. O advogado Sidney Gonçalves aguarda manifestação do STF sobre novo pedido de liberdade de Edinho. "Esta prisão está atrelada [ao outro caso] e é contrária àquela decisão do STF. Entendemos que a ordem do Supremo foi violada", disse.