BRASIL
Quarta-feira, 06 de Junho de 2012, 22h:33
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EMPRESÁRIO/MORTE
Elize depõe e diz que agiu sozinha
Elize Ramos Kitano Matsunaga, 38, afirmou em depoimento ontem que matou o marido, Marcos Kitano Matsunaga, 42, após uma discussão conjugal por conta de uma infidelidade que teria sido descoberta por ela. Ele era diretor-executivo da Yoki e foi encontrado esquartejado no fim do mês passado. A mulher prestou depoimento desde as 11h30. Segundo a polícia, ela afirmou também que foi agredida por Matsunaga antes do crime e que agiu sozinha. O rastreamento do celular mostra que a mulher esteve na região onde partes do corpo da vítima foram deixadas. Apesar disso, a polícia ainda investiga o marido de uma empregada de Elize sob suspeita de ter ajudado a desovar o corpo. "Ela disse que não teve a ajuda de ninguém e que fez tudo sozinha, mas nós vamos checar todo esse depoimento. A investigação ainda não está terminada", afirmou o delegado Jorge Carrasco, chefe do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa). Uma testemunha de Cotia - local onde foi desovado o corpo - diz ter visto quando um motociclista, vestido de preto e em uma moto escura, jogou os sacos plásticos azuis onde estavam pedaços do corpo do executivo. Essa é a primeira vez que Elize, que é bacharel em direito, é ouvida desde o crime. Até então, ela negava qualquer envolvimento na morte do marido. Elize afirmou que após atirar na cabeça do executivo, arrastou o corpo até o banheiro da empregada onde fez o esquartejamento. Partes do corpo teriam sido armazenadas nos refrigeradores do apartamento onde o casal morava. As três malas que aparecem com ela em imagens das câmeras de segurança do prédio foram usadas para fazer o transporte do corpo até o local onde foi feita a desova - na Grande SP, segundo depoimento. As malas estão sendo procuradas pela polícia, segundo Carrasco. A arma usada no crime é uma pistola automática calibre 380 e foi encaminhada para a perícia. A polícia inicialmente disse que era uma arma calibre 7.65, mas corrigiu a informação. Durante o depoimento, Elize disse que usou várias facas para esquartejar o corpo do marido. As facas do crime serão entregues para a polícia, de acordo com Carrasco. EMPRESÁRIO O empresário havia desaparecido no dia 20 de maio. No dia seguinte, o primeiro pedaço de corpo foi encontrado. A última parte a ser achada foi a cabeça, que permitiu que o reconhecimento da vítima fosse feito pelo seu irmão no dia 28. Elize está presa desde a noite de segunda-feira. Ontem, a prisão foi prorrogada por mais 30 dias. CÂMARAS A polícia analisou imagens de câmeras de segurança do prédio onde morava o casal, na zona oeste de São Paulo. No sábado, o casal, uma babá e a filha do casal - de um ano - chegam ao apartamento por volta das 18h30. A babá, dispensada, foi embora logo em seguida. Cerca de uma hora depois, Matsunaga desce até a portaria para pegar uma pizza. Ele estava com a mesma roupa - uma camisa marrom - encontrada pela polícia nos locais onde pedaços de seu corpo foram deixados. Às 5h de domingo, a babá chega ao apartamento - ao qual ela possui acesso limitado, não podendo circular por todos os cômodos. Por volta das 11h30, Elize desce até a garagem, pelo elevador de serviço, com três malas. Às 23h50, ela retorna sem as malas. Segundo a polícia, ela afirmou que esqueceu as malas no carro. "O fato é que ele entrou no apartamento vivo e de lá não saiu", disse ontem o delegado Jorge Carrasco, chefe do DHPP. Os policiais do DHPP (departamento de homicídios) suspeitam que Elize contratou um detetive para seguir o executivo. E descobriu que, entre 17 e 18 maio, ele saiu com algumas mulheres.