BRASIL
Sexta-feira, 05 de Outubro de 2012, 21h:21
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SER OUTRO
Dirceu diz que terá de se reinventar
"Eu vou ter que me reinventar", escreveu José Dirceu na noite de quarta-feira a um amigo por e-mail, após ouvir o relator do Mensalão, ministro Joaquim Barbosa, pedir sua condenação por corrupção e chamá-lo de "mandante" de um esquema de compra de apoio político. No e-mail, ao qual a Reuters teve acesso, o ex-ministro-chefe da Casa Civil diz que uma condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a qual tinha poucas dúvidas, era "mais um desafio" para um ex-guerrilheiro que ajudou a construir "o maior partido do Brasil" - ex-presidente do PT, foi ele o artífice das alianças que levaram Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência em 2002. Sete anos depois de deixar o Planalto, Dirceu mantém influência no governo, no partido e a adoração de militantes - sentimento que parece só ter crescido após a crise do chamado Mensalão, que o tirou do poder. Afastado oficialmente dos palcos da política desde 2005, quando deixou a Casa Civil e teve seu mandato de deputado cassado em meio à crise do Mensalão, agora em julgamento no STF, Dirceu nunca se distanciou da articulação política, nem deixou de exercer seu papel de liderança no PT. As razões da manutenção do seu poder e influência enquanto outros nomes históricos do partido se afastaram, está, segundo pessoas próximas e até mesmo desafetos, na obstinação e disciplina do ex-guerrilheiro, que chegou a fazer uma cirurgia plástica no exílio em Cuba para voltar ao País clandestinamente durante a ditadura militar (1964-1985). "O trabalho, a competência, a liderança de Dirceu foram a base da aliança que elegeu Lula. No governo, sua capacidade de trabalho e visão política fizeram dele um "primeiro-ministro de fato". Era o candidato natural à sucessão de Lula, daí esta denúncia contra ele", afirma o amigo e advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, para quem nada se apurou contra Dirceu ao longo do processo. Se tem amigos fiéis e admiradores no PT e na esquerda, Dirceu também acumulou ao longo dos anos inimigos no partido e entre siglas aliadas. Um deles, o ex-deputado petebista Roberto Jefferson, delatou o Mensalão e foi o responsável por colocar Dirceu no centro das denúncias. Na ação penal do Mensalão, o maior processo da história do STF, Dirceu voltou aos holofotes como principal dos 37 réus do julgamento - segundo o Ministério Público Federal, o ex-ministro foi quem montou o esquema de compra de apoio político ao governo Lula no Congresso. A Corte julga até a próxima semana as acusações de corrupção ativa, que têm Dirceu e os petistas Delúbio Soares e José Genoino entre os réus. Até a noite de quinta, três ministros já haviam condenado o núcleo e apenas um, o revisor Ricardo Lewandowski, inocentou Dirceu e Genoino.