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Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2011, 19h:17

EUA

Dilma é cautelosa ao adiar gasto com Forças Armadas

LUCIANA ANTONELLO XAVIER
Da Agência Estado - Nova York
A presidente Dilma Rousseff deixa cada vez mais claro que quer diferenciar o seu governo daquele do seu protetor e antecessor Luiz Inácio Lula da Silva e tem mandado repetidos sinais de que vai buscar maior cautela fiscal, pelo menos este ano. Essa cautela passa pela decisão, anunciada no início da semana, de adiar a compra de 11 navios para proteger especialmente as áreas do pré-sal, avaliam analistas consultados pela Agência Estado, deixando de gastar por ora ao redor de R$ 10 bilhões. Além dos navios de patrulha, dias antes Dilma havia resolvido também adiar a compra de 36 novos caças da Força Aérea Brasileira (FAB), num negócio também ao redor da R$ 10 bilhões. Para o analista político João Augusto de Castro Neves, da CAC Consultoria, em Washington, essas decisões podem sair no começo do ano que vem. "Dilma quer sinalizar contenção nos gastos neste início de governo. Além dos valores serem bem altos, perante o público não é desgastante (adiar esses gastos) como seria cortar programas de saúde ou de educação", avalia. "Também seria impensável adiar a compra dos caças para a Aeronáutica e autorizar os gastos para a Marinha. Ela está adotando o mesmo argumento para ambos, mas acho que sem perder de vista que são compras importantes do ponto de vista estratégico do país", acrescentou. "Dilma é mais detalhista, tecnocrata. Não é que seja contra essa compra. Ela apenas quer mais detalhes antes de tomar decisões", avalia Reva Bhalla, diretora para análises estratégicas da consultoria Stratfor, em Washington. "É claro que proteger a área do pré-sal deve ser uma prioridade também para Dilma. Mas estamos falando em gastos gigantescos e ela quer que haja maior planejamento", completou Bhalla. O programa de compra dos navios, que seriam construídos por meio do Programa de Obtenção de Meios de Superfície (Prosuper), inclui cinco navios-patrulha oceânicos de 1.800 toneladas; cinco fragatas de 6 mil toneladas e um navio de apoio logístico. As principais empresas do setor estão na Inglaterra, França, Coreia do Sul e Itália, onde a Fincantieri-Cantieri Navali SpA era apontada como uma das favoritas na disputa.

Edição EDIÇÃO 16962




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