Para impedir que o processo tenha seguimento no Congresso, o governo precisa de 172 votos em seu favor na Câmara, que tem 513 deputados
YARA AQUINO
Da Agência Brasil Brasília
A presidenta Dilma Rousseff disse ontem ter a convicção de que conseguirá os votos necessários para barrar o processo de impeachment na Câmara dos Deputados. Para impedir que o processo tenha seguimento no Congresso, o governo precisa de 172 votos em seu favor na Câmara, que tem 513 deputados. Eu tenho convicção de que nós teremos os votos necessários, disse a presidenta em resposta a jornalistas, após visitar obras de infraestrutura para instalação do satélite geoestacionário de defesa e comunicações estratégicas, em Brasília. O plenário da Câmara vai analisar o parecer, caso seja aprovado pela Comissão Especial do Impeachment, criada na semana passada. Os 65 deputados da comissão apreciarão o relatório de Jovair Arantes (PTB-GO), que poderá acatar ou rejeitar o pedido de impeachment. A presidenta foi notificada sobre o processo na última quinta-feira, e tem o prazo de 10 sessões da Câmara para apresentar sua defesa. LULA A presidente Dilma Rousseff avaliou como importante a decisão do ministro Teori Zavascki, que mandou o juiz federal Sérgio Moro enviar ao Supremo Tribunal Federal (STF) as investigações envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Operação Lava Jato. A decisão do ministro Teori é importante porque estabelece o primado na lei, nas relações dos órgãos que investigam o presidente Lula. Acho que foi um absurdo [a divulgação de áudios] no sentido de que feriu a base do estado democrático de direito e as garantias e direitos constitucionais da Presidência da República vazar diálogo [de Lula] com a presidenta, declarou Dilma após visitar uma instalação militar em Brasília. Indagada sobre se o governo comemorou a decisão de Teori, Dilma acrescentou: Não acho que a palavra seja comemorar. Acho que todos os brasileiros devem estar muito preocupados quando os processos investigativos e judiciais não são feitos dentro da lei. Por quê isso? Porque a base do estado democrático é o cumprimento por todos da legislação. Ao relembrar a decisão de Sérgio Moro de divulgar os áudios de ligações entre ela e Lula, Dilma afirmou que vazar diálogos pessoais que não fazem parte da investigação é uma violência e um padrão que não se deve aceitar ou compactuar, pois atinge a todos. Nenhuma democracia moderna não estou discutindo países de exceção compactua com esse tipo de prática. Acho que a sociedade brasileira conquistou a duras penas o processo que nos levou à construção do que temos hoje: um país com liberdade de expressão, de manifestação e instituições sólidas. Respeitá-las e preservá-las é o nosso objetivo, completou. PMDB Dilma também afirmou que o governo está bastante interessado em manter o PMDB. O partido marcou para o dia 29 reunião do Diretório Nacional na qual decidirá se rompe ou não com o Palácio do Planalto. Mesmo barrado pela Justiça de assumir a Casa Civil, Lula já opera em Brasília, informalmente, para tentar conter a debandada de aliados da base governistas.