BRASIL
Segunda-feira, 08 de Setembro de 2014, 20h:17
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MANTEGA
Dilma confirma saída em eventual segundo governo
Sobre a Petrobras, Dilma disse que adversários devem olhar seus telhados
MARIANA HAUBERT e GABRIELA GUERREIRO
Da Folhapress Brasília
A presidente Dilma Rousseff confirmou ontem que o ministro Guido Mantega (Fazenda) não fará parte de um eventual segundo governo da petista por questões pessoais. Eu vi que depois que eu falei equipe nova e governo novo as pessoas fizeram várias ilações sobre o Guido Mantega. Ele comunicou que não tem como ficar no governo no segundo mandato por questões pessoais que eu peço para vocês respeitarem, afirmou Dilma, em sabatina realizada pelo jornal O Estado de S. Paulo no Palácio da Alvorada, em Brasília. Na semana passada, Dilma indicou que não manteria Mantega em um eventual segundo mandato. Eleição nova, governo novo, equipe nova. Dá azar falar de uma coisa que ainda não ocorreu. Mas é governo novo, equipe nova, não tenha dúvida disso, afirmou Dilma em um evento de campanha em Fortaleza na última quinta-feira. Ontem, a candidata pelo PT à reeleição afirmou que um governo novo tem que, necessariamente, mudar a gestão mesmo se for conduzido pela mesma pessoa. Eu pretendo melhorar a gestão. Não vou aplicar tudo igual ao que eu venho fazendo. Pretendo melhorar, disse. A presidente voltou a repetir que não indicará quem fará parte de um eventual novo governo durante o período eleitoral. DILMA-DF A presidente Dilma Rousseff disse ontem que há uso eleitoreiro das denúncias de corrupção na Petrobras e que seus adversários na disputa pela Presidência da República deveriam olhar os seus telhados antes de criticarem o governo e a estatal. Hoje, há [exploração eleitoreira do caso Petrobras]. Até porque os dois candidatos não podem esquecer os seus telhados. Eu não vou ficar aqui falando do telhado de ninguém, mas eles devem olhar os seus telhados. O meu telhado tem a firme determinação na investigação. Ele é um telhado cobertinho pela Polícia Federal investigando, o Ministério Público com autonomia, disse ao referir-se aos adversário Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB). Dilma disse que há muitos que esperam que as denúncias reveladas, a menos de um mês das eleições, pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto da Costa atinjam sua campanha. Em entrevista no Palácio da Alvorada, a presidente afirmou que nunca respondeu processos por improbidade administrativa, mesmo quando ocupou cargos no governo do Rio Grande do Sul e na gestão do ex-presidente Lula. Também fez uma defesa enfática da Petrobras ao afirmar que a empresa não pode ser atacada por atos cometidos por um indivíduo. A presidente convocou entrevista coletiva como ato de campanha na residência oficial da Presidência. Dilma afirmou que o vazamento seletivo de informações reveladas pelo ex-diretor da estatal podem resultar na anulação do processo criminal, já que as investigações correm em segredo de Justiça pela Polícia Federal. A presidente disse que espera ter acesso ao depoimento de Paulo Roberto Costa, como solicitado domingo pelo ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) à Polícia Federal. Dilma disse que a resposta da PF não foi suficiente, por isso o governo vai solicitar oficialmente ao Ministério Público e ao STF (Supremo Tribunal Federal) se não tiver o pedido atendido. CAMPANHA Dilma classificou de mentira e inverdade que o ingresso do ex-ministro Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário) em sua campanha à reeleição tenha por objetivo minimizar os efeitos da crise da Petrobras. Isso é uma mentira, uma inverdade. O Rossetto está na coordenação da campanha porque foi decidido na semana passada, antes desse evento. Ele é uma pessoa experimentada, foi vice-governador do Rio Grande do Sul, tem toda uma trajetória política. Rossetto se afastou do cargo oficialmente nesta segunda-feira para se dedicar à campanha de Dilma. O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência) também pediu férias a partir desta segunda para se dedicar à campanha de Dilma.