BRASIL
Terça-feira, 31 de Agosto de 2010, 19h:36
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SALÁRIO MÍNIMO
Dilma afirma que discutirá com centrais
Com esta sinalização, a petista tenta acalmar as centrais sindicais que reagiram à proposta do governo de aumentar o mínimo dos atuais R$ 510 para R$ 538,15 mensais
EUGÊNIA LOPES
Da Agência Estado Brasília
A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, afirmou ontem que vai discutir com as centrais sindicais critérios para o reajuste do salário mínimo, que vai vigorar a partir de 1º de janeiro de 2011. Com esta sinalização, a petista tenta acalmar as centrais sindicais que reagiram hoje à proposta do governo de aumentar o mínimo dos atuais R$ 510 para R$ 538,15 mensais. Esse reajuste representa apenas a reposição da inflação durante 2010, sem aumento real para o mínimo. "Eu acho que eles (governo) deram uma proposta de referência. Agora nós vamos ter de sentar e fazer o mesmo processo que o governo Lula fez com as centrais. Caso eu seja eleita, eu farei isso. Ou seja, discutir com as centrais uma proposta de longo prazo", afirmou Dilma, referindo-se ao período que vai de 2011 a 2014. Na avaliação da petista, a atual fórmula de reajuste do salário mínimo é "muito boa e produziu efeitos muito bons", permitindo uma "elevação real do salário mínimo muito significativa". Pela fórmula em vigor, o salário mínimo é reajustado pela inflação do ano anterior e mais o Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Ocorre que no caso do reajuste do mínimo a partir de 1º de janeiro de 2011, levou-se em conta o PIB de 2009, que foi negativo. Daí o descontentamento das centrais sindicais, que apostavam em um valor maior para o mínimo no ano que vem. Dilma afirmou que "sem sombra de dúvida" o futuro governo continuará com a política de reajuste do mínimo. "Principalmente porque nós teremos de 2011 a 2014, todas as condições de ter uma situação conjuntural econômica e estratégica muito melhor. O Brasil vai crescer em torno de 7%. O Brasil nunca cresceu 7% desde 1986", observou a candidata. "O Brasil daqui para frente é mais do que nós fizemos. É mais oportunidade e não menos. Nós não somos aquele país de 2002. Por isso, acho estranhíssimo as propostas de ajuste fiscal", disse a petista. NEGA Nesse sentido, Dilma voltou a negar que fará um ajuste fiscal em um eventual governo. Garantiu ainda que não têm divergências, nesse ponto, com o ex-ministro Antonio Palocci, um dos coordenadores de sua campanha. "Ajuste fiscal e investimento não são compatíveis. O ajuste fiscal você desmonta o estado executor e fortalece o fiscalizador, porque interessa aumentar a receita, controlar a despesa. Quanto menos se investir, melhor, quanto menos se gastar em programas sociais, melhor", disse a ex-ministra. Dilma Rousseff passou o dia de ontem em Brasília, cumprindo uma agenda interna. Pela manhã, ela recebeu o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, em seu escritório político. Um dos temas do encontro foi o ensino profissionalizante.