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BRASIL
Quinta-feira, 16 de Setembro de 2010, 18h:48

ÁLVARO DIAS

Dias: demissão é confissão de culpa

ANDREA JUBÉ VIANNA e LEONENCIO NOSSA
Da Agência Estado – Brasília
O líder em exercício do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), afirmou à Agência Estado que a demissão da chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, deve ser interpretada como uma "confissão". Para ele, trata-se de uma "consequência natural dos fatos" que, segundo Dias, são "tão graves que tornaram insuportável" a permanência dela no governo. O senador acrescentou que Erenice não pode despontar isoladamente no epicentro do escândalo, porque há uma parceria dela com Dilma Rousseff a ser lembrada. "Ela quer ser mãe do PAC, mãe dos brasileiros. Mas quando o filho é feio ela despreza, não quer ser nem madrasta?", provocou o tucano, em alusão à parceria entre Erenice e a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff. A parceria de trabalho se iniciou ainda quando Dilma era ministra de Minas e Energia e consolidou-se na Casa Civil, a ponto de Erenice ser indicada para suceder a presidenciável no posto. "ASSEPSIA" O líder do PSDB na Câmara, deputado João Almeida (BA), alertou em entrevista à Agência Estado que "não é suficiente" a demissão da ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, para dar uma resposta à sociedade sobre as denúncias de tráfico de influência no governo. "É o mínimo que o governo poderia fazer, mas ainda é pouco". O tucano também quer celeridade e o aprofundamento das investigações da Polícia Federal e do Ministério Público. Numa amplificação das recentes declarações de José Serra (PSDB) - de que a Casa Civil tornou-se um "centro de maracutaias" - Almeida cobrou uma "assepsia na Casa Civil", que para ele se transformou num "laboratório de crimes, inclusive eleitorais". APURAÇÃO O ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse ontem que a saída de Erenice Guerra da Casa Civil não interrompe as investigações da Polícia Federal e da Corregedoria-Geral da União (CGU). Em entrevista na sede do Banco da Amazônia, em Belém, onde participou de evento com o presidente Lula, Padilha ressaltou que o governo quer esclarecimentos. "O governo vai apurar até o fim, independentemente da saída dela", afirmou. Na entrevista, Padilha disse ainda que o presidente Lula "aceitou" o pedido de demissão de Erenice. "Ela pediu ao presidente para sair. Foi uma solicitação pessoal, pois disse que se sentia mais tranquila para se defender fora do governo". TEMER O candidato a vice na chapa da presidenciável Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (PMDB), afirmou ontem, em debate organizado pela Rede Record e o Portal R7, que a demissão da ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, não macula a candidatura petista e não deve adiar a definição da disputa para um segundo turno. "Não estou subindo no salto, mas acho que não vai exigir segundo turno, vamos ganhar a eleição no primeiro turno", afirmou o peemedebista. Ele recorreu à pesquisa Datafolha, divulgada ontem, que aponta Dilma na liderança da disputa presidencial - com vantagem de 24 pontos sobre José Serra (PSDB) - para sustentar que os escândalos não afetam a campanha. "É um indicativo que esses fatos não irão macular a candidatura", disse.

Edição EDIÇÃO 16966




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