BRASIL
Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012, 19h:10
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VISTOS/HAITIANOS
Deputados favoráveis à concessão
Deputados da oposição e da situação concordam com a decisão do governo brasileiro de dar visto de trabalho para cerca de 2,4 mil haitianos que estão em situação irregular no País. De acordo com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, há cerca de 4 mil haitianos no Brasil e cerca de 1,6 mil já estão em situação regular. A situação será definida por resolução do Conselho de Imigração do Ministério do Trabalho. Quem chegar depois da edição da resolução não será beneficiado. O Haiti foi devastado por um terremoto em janeiro de 2010 e o Brasil tem sido o destino de uma corrente migratória, alimentada também por agentes, chamados de coiotes, que cobram para trazer os haitianos, que entram pelo Acre e Amazonas. O ministro explicou que a decisão se deu por motivos humanitários. "Essa é uma situação que nós temos que enfrentar porque, se por um lado, nós temos a questão do controle de fronteiras, do respeito à lei, por outro lado, nós temos a questão econômica que está posta para os haitianos nos dias atuais." Para o deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), após a tragédia, o Haiti não implementou políticas públicas que permitam às pessoas sobreviver em seu próprio país. "Do ponto de vista humanitário, não há dúvida de que o governo acertou. São pessoas que estão vindo para cá em situação de penúria, de absoluta miséria. Portanto, receber essas pessoas no país foge de uma análise econômica." O deputado Flaviano Melo, (PMDB-AC), também concorda com o acolhimento dos haitianos, mas afirma que a situação não pode se estender indefinidamente. Ele afirmou que a presença desses refugiados no Acre tem sobrecarregado o Estado. "Nós não podemos transformar essas fugas de haitianos para o Brasil numa situação normal. É impossível ver sua situação crescer estupidamente por causa de problemas de um outro País. O Brasil está lá no Haiti, tem força de paz lá, tem de ajudar lá." Mendes Thame também acredita que, depois da regularização dos que já estão aqui, só deveriam ser autorizados a vir trabalhadores de áreas nas quais o Brasil é carente. "Precisa ver quais são essas pessoas, quais são suas qualificações, quais as funções que essas pessoas poderão vir a desempenhar para contribuir para a economia do país." O ministro da Justiça anunciou que o governo federal vai dar apoio ao Acre para enfrentar a situação dos refugiados e também que o país vai entrar em contato com os governos do Peru, Equador e Bolívia para propor que todos combatam a rota do tráfico de pessoas realizado pelos coiotes.